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Gestão estratégica da saúde e VBHC: por que o sistema precisa de um arquiteto da decisão

24 de abril de 2026 Por Ibravs

Boas intenções não reduzem custos. Princípios não transformam sistemas. Embora o debate sobre VBHC e sustentabilidade tenha amadurecido, o setor de saúde brasileiro ainda patina em uma lacuna crítica: a distância entre o que se fala nos congressos e o que se executa nas operações. O sistema atual funciona como uma coleção de partes autônomas, gerando decisões reativas e incentivos desalinhados. O que falta não é conceito; é estrutura. É neste cenário de fragmentação que surge a necessidade de uma figura central: o arquiteto da decisão. A lacuna entre o discurso de valor e a prática operacional Nos últimos anos, a Gestão Estratégica da Saúde e VBHC tornaram-se termos onipresentes. No entanto, o sistema ainda opera sob lógicas de curto prazo e pressão regulatória. Essa desconexão não é apenas conceitual, é estrutural. A transformação real só acontece quando os princípios de valor orientam escolhas clínicas e econômicas reais. Assim, organizar a complexidade do sistema deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade. Estruturar decisões com método, dados e governança é o que permite que organizações avancem com clareza, sustentem escolhas difíceis e reduzam o risco de decisões reativas. O que é VBHC e Gestão Estratégica da Saúde? Para que o sistema funcione, precisamos responder a perguntas fundamentais que a gestão tradicional muitas vezes ignora: Gestão estratégica da saúde e VBHC na prática Integrar gestão estratégica da saúde e VBHC significa sair do campo abstrato e atuar diretamente sobre como o sistema funciona. Isso envolve: Em outras palavras, trata-se de transformar conceitos em decisões concretas — e decisões em implementação. O papel do “arquiteto da decisão” Diante desse cenário, ganha relevância uma função ainda pouco estruturada no sistema: a capacidade de organizar a complexidade e transformar dilemas em caminhos viáveis. É nesse contexto que emerge a ideia do arquiteto da decisão. Mais do que propor soluções ou defender modelos, esse papel consiste em: A integração entre gestão estratégica da saúde e VBHC depende, essencialmente, dessa capacidade de transformar intenção em direção e direção em ação. Do conhecimento à transformação: como isso se materializa Para que essa lógica funcione, é necessário conectar formação, aplicação prática e execução. Na prática, isso se traduz em três dimensões complementares: Essa combinação é o que permite sair do conceito e avançar para a transformação prática do sistema. Decidir melhor é sustentar escolhas A integração entre gestão estratégica da saúde e VBHC exige atuar onde as decisões de fato acontecem: no desenho de modelos, na governança e na articulação entre stakeholders. Decidir melhor não é apenas escolher caminhos.É sustentar escolhas ao longo do tempo, com critérios claros, responsabilidade e capacidade de adaptação. Isso implica reconhecer limites, assumir consequências e organizar o sistema de forma coerente com aquilo que se pretende alcançar. O futuro da saúde exige decisões que resistem ao tempo Decidir melhor não é apenas escolher caminhos; é ter o método para sustentar essas escolhas. A integração entre gestão estratégica da saúde e VBHC exige atuar onde os gargalos de fato acontecem: no desenho de modelos, na governança e na articulação entre quem paga e quem cuida. A sustentabilidade do setor não nascerá de soluções isoladas ou discursos inspiradores. Ela será fruto de uma arquitetura de decisão técnica, independente e, acima de tudo, executável. 

Categorias Valor em Saúde Tags Decisão Estratégica, gestão em saúde, Sustentabilidade, valor em saúde, vbhc Deixe um comentário

IBRAVS e Novartis firmam parceria para formar líderes em Saúde Baseada em Valor no Brasil

8 de abril de 2026 Por IBRAVS

Segunda temporada do Value Summit amplia capacitação em VBHC e reforça a importânciade decisões orientadas por valor para a sustentabilidade do sistema de saúde. O Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS) e a Novartis firmaram parceria para a realização da segunda temporada do Value Summit, programa estruturado de capacitação em Saúde Baseada em Valor (VBHC – Value-Based Health Care). A iniciativa tem comofoco a formação de lideranças capazes de operar estrategicamente em sistemas complexos e tomar decisões orientadas por valor, com impacto concreto na sustentabilidade e na qualidade do sistema de saúde brasileiro. A nova edição traz novidades, como a combinação de aulas ministradas por grandesespecialistas com dinâmicas ativas fundamentadas na andragogia — abordagem voltada à educação de adultos. São abordados temas como o cenário e os desafios do mercado de saúde, valor comocritério central de decisão, gestão populacional e estratificação de risco, linhas de cuidado integradas e organização por processos assistenciais, governança clínica baseada em valor, uso de PROMs e PREMs na avaliação de desfechos, gestão estratégica de custos, modelos de remuneração baseados em valor e alinhamento de incentivos. A nova etapa do programa aprofunda ainda temas como ciência da decisão e modelosmulticritério (MCDA), contratualização e gestão de risco, sustentabilidade econômica e escalabilidade, consolidando a proposta de transformar conceitos em decisões estruturadas e aplicáveis ao sistema de saúde. O programa também passa a contar com ações específicas para apoiar e estimular aaplicação prática do conhecimento adquirido, incluindo uma etapa final de apresentação das melhores propostas. Nessa fase, os participantes poderão submeter projetos de Valor em Saúde, e os finalistasapresentarão suas propostas em um pitch de 10 minutos para uma banca avaliadora,concorrendo a premiações e reconhecimentos institucionais. A proposta é transformar conhecimento conceitual em prática estruturada, estimulando a implementação de modelosassistenciais e de remuneração baseados em valor. Criado em 2018, o IBRAVS é uma instituição dedicada à gestão estratégica da saúde, com atuação voltada à estruturação de decisões complexas e à organização da sustentabilidadesistêmica do setor. O Instituto entende que valor em saúde não é um discurso aspiracional, mas o critério que deve orientar decisões clínicas, gerenciais e econômicas responsáveis, com impacto real sobre pessoas, organizações e o futuro do sistema. Para o IBRAVS, a transição do modelo tradicional para um modelo orientado por desfechos, coordenação e sustentabilidade exige mais do que conhecimento técnico. Exige método, pensamento sistêmico e capacidade de transformar princípios amplamente aceitos emmodelos concretos de gestão e implementação. “Nosso papel não é apenas qualificar o debate, mas apoiar líderes na estruturação dedecisões complexas. O IBRAVS atua para organizar a complexidade do sistema de saúde e transformar o valor em saúde em prática de gestão. Isso significa estruturar caminhos viáveis, alinhar incentivos, sustentar mudanças organizacionais e gerar impacto consistente em desfechos clínicos e sustentabilidade financeira”, afirma César Abicalaffe, presidente do IBRAVS. Para a Novartis, a iniciativa reforça seu compromisso com a inovação para além da molécula. “Estamos comprometidos em apoiar ativamente a criação de soluções sustentáveis para o sistema de saúde brasileiro, atuando em colaboração com os diferentes atores desse ecossistema. A parceria com o IBRAVS fortalece essa visão ao apoiar a formação de lideranças capazes de integrar inovação clínica, responsabilidade sistêmica esustentabilidade, garantindo que o avanço científico se traduza em valor real para ospacientes e para o sistema de saúde”, destaca Michel Conte, Diretor Executivo de Valor eAcesso, da Novartis. Ao estruturar um programa contínuo de formação e aplicação prática, o Value Summit busca contribuir para a consolidação de uma cultura de decisão orientada por valor no país. Em um sistema marcado por fragmentação, incentivos desalinhados e pressão crescente por sustentabilidade financeira, o desenvolvimento de lideranças capacitadas em VBHC é apontado como condição necessária para viabilizar mudanças estruturais de longo prazo.

Categorias Valor em Saúde Tags gestão em saúde, IBRAVS, modelos de remuneração baseados em valor, Novartis, Saúde baseada em valor, valor em saúde, Value Summit, vbhc Deixe um comentário

Lições internacionais de VBHC que podem ajudar o Brasil a acelerar

8 de abril de 20266 de fevereiro de 2026 Por IBRAVS
Lições internacionais que podem ajudar a acelerar o Brasil em VBHC

Conheça as principais lições internacionais de VBHC para o Brasil avançar na agenda de valor em saúde, com foco em resultados e sustentabilidade. A transição para um sistema de saúde guiado por valor é um movimento global — e países que avançaram nessa agenda já mostram caminhos claros para acelerar a transformação no Brasil. O relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) chamado “Uma revisão global de cuidados baseados em valor: teoria, prática e lições aprendidas”, publicado em 2025, destaca experiências dos Estados Unidos, Reino Unido, Holanda e outras nações, apontando os elementos que diferenciam sistemas que de fato evoluíram do modelo baseado em volume para o modelo baseado em valor. Para além da retórica, a agenda de Value-Based Healthcare (VBHC) exige estrutura, incentivos, governança e cultura. E essas referências internacionais podem ser o norte para que o Brasil acelere sua rota. “Adotar valor em saúde não é importar modelos — é aprender com o que funcionou no mundo e adaptar à nossa realidade, respeitando a complexidade do SUS, da saúde suplementar e de nossa demografia”, afirma Cesar Abicalaffe, presidente do IBRAVS. Segundo ele, o Brasil tem capacidade técnica e institucional para avançar, mas é preciso priorizar o paciente como unidade central, investir em dados e construir mecanismos de pagamento realmente vinculados a desfechos clínicos e experiência assistencial. Governança e incentivos alinhados Países que avançaram criaram políticas nacionais para o VBHC e estruturas regulatórias que premiam resultados, e não volume. Nos EUA, por exemplo, programas federais como o de readmissões hospitalares e incentivadores de qualidade demonstraram impacto direto em eficiência e desfechos. No Reino Unido, programas como o Getting It Right First Time contribuíram para reduzir variabilidade injustificada e elevar padrões assistenciais. “Quando o financiamento passa a reconhecer quem entrega qualidade mensurável, toda a cadeia se organiza para melhorar — do médico ao hospital, da operadora ao paciente. Sem incentivos bem calibrados, o valor não escala”, ressalta Abicalaffe. Medição consistente de resultados e experiência do paciente O relatório reforça que sistemas maduros adotaram PROMs e PREMs de maneira estruturada, padronizada e integrada às decisões clínicas e financeiras. Na prática, isso significa medir não apenas procedimentos e indicadores operacionais, mas aquilo que realmente importa para o paciente. As PROMs (Patient-Reported Outcome Measures) são instrumentos que capturam diretamente, pela perspectiva do paciente, os resultados de saúde alcançados — como dor, capacidade funcional, qualidade de vida, fadiga, mobilidade e impacto da doença no dia a dia. Os PREMs (Patient-Reported Experience Measures), por sua vez, avaliam a experiência do paciente com o cuidado recebido — incluindo comunicação, acolhimento, acesso, coordenação e percepção de segurança e respeito. Em países que avançaram no VBHC, essas informações orientam protocolos, reorganizam jornadas assistenciais, embasam contratos de remuneração e permitem comparar desempenho entre serviços e regiões, promovendo transparência e melhoria contínua. “Sem ouvir o paciente e medir sua evolução real — funcional, emocional e social — a gestão em saúde fica incompleta. PROMs e PREMs são o termômetro do valor; eles traduzem impacto em vida real, não apenas em planilhas”, destaca Cesar Abicalaffe. Tecnologia e interoperabilidade como infraestrutura crítica Holanda e países escandinavos mostram que interoperabilidade, prontuários conectados e plataformas nacionais são decisivos para implementar VBHC em escala. A OMS destaca que dados clínicos integrados possibilitam transparência, comparação e gestão ativa de risco. “Sem dados comparáveis, não há valor — há apenas percepções. O Brasil precisa transformar informação clínica em inteligência assistencial, e isso exige integração, governança e incentivos”, enfatiza Abicalaffe. Foco em cuidado coordenado e continuidade assistencial Cuidado fragmentado mina valor. Sistemas que avançaram reforçaram atenção primária robusta, integração entre níveis e modelos baseados em populações, com atenção à cronicidade e prevenção. Cultura de valor: o fator invisível que define o sucesso A OMS reforça que mudanças em incentivos e tecnologias são insuficientes sem cultura profissional voltada a valor, segurança e transparência de desfechos. Países líderes investiram em formação, engajamento clínico e aprendizado contínuo. “Valor exige protagonismo clínico. Não se faz VBHC com dashboards — se faz com equipes engajadas, sensibilidade ao paciente e compromisso ético com resultados”, conclui Abicalaffe. Um caminho brasileiro: inspiração global, construção local O Brasil tem desafios particulares — como inequidades regionais, alta complexidade e fragmentação entre sistemas. Ao mesmo tempo, possui fortalezas: capilaridade da atenção primária, instituições consolidadas e capacidade técnica relevante. A agenda de valor já começou no país, com iniciativas governamentais e privadas, e pode ganhar velocidade. “O futuro da saúde passa por medir, comparar, aprender e remunerar melhor quem cuida melhor. O Brasil está preparado — falta escala e coordenação. O IBRAVS está comprometido em ser ponte entre evidência, política pública e prática assistencial”, finaliza Abicalaffe.

Categorias Modelos de Remuneração, Valor em Saúde Tags PROMs e PREMs, sistemas de saúde internacionais, valor em saúde, vbhc Deixe um comentário

Como medir valor em saúde exige ir além de fórmulas simples

20 de janeiro de 202616 de dezembro de 2025 Por IBRAVS
Como medir valor em saúde exige ir além de fórmulas simples

Em artigo no American Journal of Biomedical Science & Research, Cesar Abicalaffe defende que modelos lineares e unidimensionais já não dão conta da complexidade da entrega de valor em saúde. O debate sobre Value-Based Health Care avançou muito na última década, mas ainda esbarra em uma pergunta central: como medir valor de forma consistente, comparável e aplicável à realidade dos sistemas de saúde? No artigo How to Measure Value in Health Care: Why Multidimensional Metrics Must Replace Linear Models, publicado no American Journal of Biomedical Science & Research, o presidente do IBRAVS, Cesar Abicalaffe, defende que modelos lineares e unidimensionais já não dão conta da complexidade da entrega de valor em saúde A partir de uma análise crítica da equação clássica “desfechos sobre custo”, o texto demonstra por que indicadores isolados falham ao tentar representar desempenho assistencial, eficiência operacional, experiência do paciente e uso racional de recursos. A proposta apresentada é a adoção de frameworks multidimensionais baseados em Multi-Criteria Decision Analysis (MCDA), capazes de integrar diferentes dimensões com pesos transparentes e baseados em evidência. Nesse contexto, o artigo detalha o Health Value Score (EVS), metodologia desenvolvida e validada no Brasil, já aplicada em mais de 100 hospitais e operadoras, avaliando dezenas de milhares de profissionais e múltiplas condições clínicas. O EVS se consolida como um instrumento prático para governança clínica, modelos de pagamento baseados em valor e comparação justa de desempenho, preservando rigor técnico e viabilidade operacional. Essa base conceitual se conecta diretamente ao movimento liderado pelo IBRAVS de construção de um modelo nacional de referência, integrando a metodologia EVS a indicadores e benchmarks mínimos por condição clínica e especialidade. O objetivo é claro: viabilizar comparabilidade, transparência e um entendimento mais preciso do que, de fato, representa não só  entrega de valor na saúde brasileira, como um avanço técnico e institucional relevante para o posicionamento do Instituto. Leia o conteúdo clicando aqui ou abaixo!

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CLAVS’25 marca o início de um novo plano de voo para a saúde baseada em valor na América Latina

15 de setembro de 202515 de setembro de 2025 Por IBRAVS
Um Novo Plano de Voo para a Saúde Baseada em Valor na América Latina

O evento reuniu líderes do setor e foi palco para o lançamento do Framework “Um Caminho Prático para Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseado em Valor”, criando uma agenda comum para a região. Inspirado na trajetória de Santos Dumont, o Pai da Aviação, o 2º Congresso Latino-Americano de Valor em Saúde (CLAVS’25) buscou cocriar um novo plano de voo para a saúde na América Latina, mostrando que a saúde, assim como a aviação, precisa de tecnologia, visão e humanidade. Realizado pelo Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS), nos dias 25 e 26 de agosto, o evento reuniu, no Rio de Janeiro, mais de 500 participantes, entre gestores, reguladores, acadêmicos e lideranças do setor da saúde do Brasil, América Latina e Estados Unidos.  Foram apresentadas experiências nacionais e internacionais, com debates sobre novos modelos de remuneração, práticas de mensuração de desfechos e estratégias de sustentabilidade para os sistemas de saúde. O encontro também celebrou a cooperação técnica entre a Agência de Saúde Suplementar (ANS), o IBRAVS, o Conselho Federal e os da 3ª e 4ª região de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. O objetivo é que essas entidades apoiem a Agência na operacionalização e ampliação do Programa Modelos de Remuneração Baseados em Valor para a saúde suplementar no Brasil. “No âmbito desse acordo, o IBRAVS lidera o desenvolvimento de dois dos cinco produtos previstos, a atualização do Guia para Implementação de Modelos de Remuneração Baseados em Valor; e o desenvolvimento de uma ferramenta de gestão de indicadores, disse César Abicalaffe, presidente do IBRAVS, na abertura do evento. Um novo plano de voo para a saúde A mensagem inicial foi de alinhamento: transformar o conhecimento acumulado em ações concretas e reprodutíveis para diferentes realidades. E para ajudar nessa missão, foi lançado o Framework IBRAVS: “Um Caminho Prático para Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseado em Valor”, uma ferramenta gratuita e acessível que organiza estratégias claras para implementar modelos de remuneração baseados em valor. O lançamento do framework simboliza um marco na consolidação da agenda de VBHC na região, oferecendo aos gestores e profissionais da saúde um guia estruturado para aplicar conceitos de valor em diferentes contextos, transformar práticas e gerar resultados mensuráveis para pacientes e sistemas de saúde. “É importante dizer que este documento não é um ponto final, mas um ponto de partida, e seguirá em evolução, com atualizações periódicas. Acreditamos firmemente que um sistema de saúde sustentável só será possível quando o valor entregue ao paciente estiver no centro das decisões”, ressaltou Abicalaffe. Na ocasião, o presidente do IBRAVS entregou a Maurício Nunes, diretor da Diretoria de Desenvolvimento Setorial (DIDES) da ANS, a primeira cópia do framework. “Maurício, sua determinação e resiliência foram essenciais para que este acordo de cooperação técnica se tornasse realidade. Tenha certeza de que está deixando um importante legado para a saúde de nosso país”, disse.  Lideranças nacionais internacionais na mesa de abertura A mesa de abertura do CLAVS´25 contou com a presença da Dra. Carla Soares, diretora-presidente interina da ANS, que reforçou a necessidade de mudança cultural para a transição rumo ao valor. “Não basta ampliar o acesso, precisamos garantir acesso com qualidade. Esse é o verdadeiro sentido de valor em saúde.” Também participaram Maurício Nunes (ANS), Claudio Stivelman, Superintendente da Superintendência de Serviços de Saúde, órgão do Ministério da Saúde da Argentina, e Cristian Mazza, Presidente de ALAMI – Asociación Latinoamericana de Sistemas Privados de Salud, compondo um painel que refletiu os desafios e as oportunidades da região latino-americana. Programa da ANS para os próximos cinco anos Raquel Lisboa, gerente de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade dos Prestadores de Serviços na ANS, apresentou o programa “ANS Modelos de Remuneração Baseados em Valor”, que traça a visão da agência reguladora para os próximos cinco anos, em parceria com as entidades técnicas IBRAVS, COFFITO e CREFITOS 3 e 4. Segundo Maurício Nunes, a proposta é fruto de um trabalho coletivo iniciado em 2009 e representa uma entrega concreta ao país, impactando diretamente os mais de 53 milhões de beneficiários da saúde suplementar. Conceitos e cases A programação do CLAVS´25 foi dividida em blocos temáticos, seguindo o modelo do framework.  O Bloco 1 construiu a base conceitual necessária para a compreensão e a aplicação prática do VBHC. Wilson Follador, conselheiro do IBRAVS e presidente da ISPOR Capítulo Brasil, apresentou os conceitos fundamentais de Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseados em Valor. Na sequência, Luiz Ribas, também conselheiro do IBRAVS, professor de Atenção Primária da UFPR e diretor médico na 2iM, apresentou o modelo de análise de decisão por multicritério (MCDA). Encerrando o bloco, Daniele Soutilha, pesquisadora do IBRAVS e doutoranda na Unigranrio, mostrou uma pesquisa e revisão de literatura sobre VBHC no Brasil e no mundo.  O Bloco 2 foi dedicado a explorar os cinco principais Modelos de Remuneração Baseados em Valor. A dinâmica combinou uma abertura conceitual de cada modelo com a apresentação de cases práticos de instituições brasileiras e internacionais. O primeiro modelo abordado foi o Fee for Service (FFS) + Valor, conduzido por César Abicalaffe, presidente do IBRAVS, e Fabio Nogi, conselheiro do instituto e head da Unimed Odonto. A sessão destacou como o tradicional pagamento por procedimento pode ganhar eficiência e foco em qualidade ao ser combinado com métricas de valor. Em seguida, foram apresentados cases que mostraram como o modelo pode ser adaptado e aplicado no Brasil. Jacqueline Estevan, Governance Officer da Uniodonto Campinas, ensinou como construir cases de valor em saúde na odontologia. João Robles, gestor de Atenção Primária da Unimed São José do Rio Preto e vencedor da 3ª edição do Prêmio Cases de Valor em Saúde IBRAVS, compartilhou a experiência da cooperativa na implantação de um sistema de bonificação baseado em valor, que gerou impacto real no engajamento médico e na melhoria da assistência. Já Erickson Blun, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da ANSM, expôs um exemplo de aplicação do VBHC em pronto-socorro, no qual uma Unimed conseguiu reduzir custos e, ao mesmo tempo, melhorar a experiência do paciente. … Ler mais

Categorias CLAVS, Valor em Saúde Tags América Latina, CLAVS’25, congresso de saúde, framework VBHC, IBRAVS, modelos de remuneração em saúde, Saúde baseada em valor, vbhc Deixe um comentário

Descentralização do cuidado só gera valor com foco em desfechos, coordenação e uso inteligente de recursos, afirma IBRAVS

9 de agosto de 2025 Por IBRAVS
descentralização do cuidado

Relatório internacional destaca os impactos positivos de levar o cuidado para mais perto do paciente — mas, segundo o IBRAVS, descentralizar não basta: é preciso integrar dados, medir resultados e alinhar incentivos para gerar valor real em saúde. Um novo relatório da consultoria internacional Frontier View analisa os impactos da descentralização do cuidado em países como Reino Unido, Singapura, Holanda e Bélgica. A pesquisa demonstra que, ao reorganizar os serviços de saúde para que o atendimento ocorra fora do ambiente hospitalar — sempre que clinicamente possível — os sistemas conseguiram melhorar o acesso, reduzir internações e otimizar recursos. Para o Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS), as experiências são promissoras, mas os ganhos reais só acontecem quando essas estratégias são acompanhadas por coordenação, dados e foco em desfechos. O conceito de descentralização do cuidado envolve deslocar parte do cuidado para unidades básicas de saúde, ambulatórios ou até a casa do paciente. A proposta busca aliviar a pressão sobre os hospitais, ampliar o acesso, promover a continuidade do cuidado e oferecer uma experiência mais personalizada e humana. Resultados internacionais com a descentralização do cuidado Apresentado em julho, em Brasília, o relatório reúne dados concretos de quatro países. O Reino Unido registrou 800 mil internações a menos em 2022, em comparação com 2019, ao expandir o cuidado fora dos hospitais. Singapura poupou 7 mil dias de internação com o programa MIC@Home. A Holanda economiza 2 milhões de euros anualmente com o uso de cuidados remotos, enquanto a Bélgica reduziu em 15% as readmissões hospitalares de pacientes com insuficiência cardíaca. Descentralização do cuidado e a saúde baseada em valor (VBHC) Para o presidente do IBRAVS, César Abicalaffe, essas experiências evidenciam caminhos possíveis, mas não devem ser confundidas com uma adoção automática da saúde baseada em valor. “Descentralizar, por si só, não é sinônimo de gerar valor. Pode até criar novas ineficiências se for feita sem coordenação, sem mensuração de resultados e sem foco real naquilo que importa para o paciente”, afirma. Segundo ele, a descentralização só se alinha aos princípios do VBHC quando está a serviço de uma entrega de valor mensurável: quando contribui para melhorar os desfechos clínicos, otimizar a experiência do cuidado e utilizar recursos de forma sustentável. “O que define se há valor não é o local onde o cuidado acontece, e sim o impacto desse cuidado na vida das pessoas — se elas estão melhores, se evitamos complicações, se o sistema aprendeu com cada atendimento.” O papel do Brasil na descentralização com foco em valor O IBRAVS defende que o Brasil tem condições de avançar com uma agenda estruturada nesse campo, aproveitando sua tradição em atenção primária — como a Estratégia Saúde da Família — e conectando-a a uma lógica clara de accountability por desfechos. “Precisamos transformar isso em estratégia de saúde baseada em valor, com sistemas de informação integrados, avaliação contínua e modelos de remuneração que premiem resultados, e não apenas a produção de serviços”, afirma Abicalaffe. Desafios para transformar descentralização em valor real No país, diversas iniciativas locais já indicam movimentos em direção à descentralização, mas ainda de forma fragmentada e sem diretrizes nacionais. O desafio, segundo o IBRAVS, é transformar essas experiências em política pública estruturada, com metas claras e alinhamento entre os diferentes níveis do sistema. “Descentralizar não é um fim em si mesmo. Só se torna uma estratégia transformadora quando está a serviço do valor — para quem mais importa: o paciente.”

Categorias Valor em Saúde Tags atenção primária, coordenação do cuidado, descentralização do cuidado, desfechos em saúde, eficiência em saúde, Saúde baseada em valor, sistemas de saúde, vbhc Deixe um comentário

Da Jornada ao Protocolo: como a Saúde Baseada em Valor e os Dados de Vida Real estão transformando a assistência

22 de julho de 202522 de julho de 2025 Por IBRAVS
Da Jornada ao Protocolo

Em um sistema de saúde cada vez mais pressionado por demandas crescentes, recursos limitados e expectativas por resultados mais efetivos, termos como jornada do paciente, linha de cuidado, guidelines, diretrizes clínicas e protocolos clínicos ganham centralidade no planejamento e na gestão. Mais do que nomenclatura, é fundamental compreender o que cada um desses conceitos representa, como se inter-relacionam e, sobretudo, como podem ser aprimorados à luz da Saúde Baseada em Valor (VBHC) e dos dados de vida real (Real-World Data — RWD). Este artigo apresenta uma visão clara e estruturada sobre esses instrumentos, mostrando como a integração de dados clínicos e de experiências reais reportadas pelo paciente pode transformar decisões clínicas, operacionais e políticas. Entendendo os Conceitos Fundamentais Antes de aprofundar cada definição, é importante entender que esses instrumentos — jornada do paciente, linha de cuidado, guidelines, diretrizes clínicas e protocolos — não existem de forma isolada. Cada um deles cumpre um papel complementar no desenho de um cuidado mais coordenado, eficiente e centrado no paciente. Com a adoção da Saúde Baseada em Valor e o uso de dados de vida real, esses conceitos passam a ser ferramentas dinâmicas, permitindo redesenhar fluxos, monitorar resultados reais e promover melhorias contínuas. Jornada do Paciente A jornada do paciente representa a experiência real e subjetiva do paciente desde os primeiros sintomas até o desfecho do cuidado. Esse conceito refere-se não apenas aspectos clínicos, mas também logísticos, emocionais e financeiros. Conhecê-la e compreendê-la é essencial para identificar barreiras de acesso e oportunidades de melhoria. Linha de Cuidado Linhas de cuidado são planos ou diretrizes padronizados e baseados em evidências que descrevem a sequência e o tempo de intervenções e tratamentos para condições ou procedimentos médicos específicos.  Elas representam os processos de atendimento de um determinado paciente com uma condição clínica específica em função de sua complexidade clínica (cluster). As linhas de cuidado devem contemplar todos os marcos assistenciais que o paciente (idealmente) deve ter durante um período de tempo visam garantir continuidade, integralidade e resolubilidade do cuidado. Guideline Clínico Os guidelines clínicos são documentos produzidos por sociedades científicas com base em revisões sistemáticas da literatura. São eles que fornecem recomendações de conduta clínica com grau de evidência e força de recomendação, por exemplo. Diretriz Clínica Já as diretrizes clínicas, estão consolidadas em um documento normativo, usualmente nacional, que orienta a conduta terapêutica padronizada nos sistemas de saúde. Essa diretriz pode ser baseada em consensos técnicos e considera também aspectos de viabilidade, custo e organização dos serviços. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) E, por último, temos os protocolos clínicos e as diretrizes terapêuticas (PCDT) tratam-se de documentos oficiais elaborados no âmbito do SUS para padronizar o acesso a medicamentos e terapias. São ambos que determinam critérios de inclusão e exclusão, formas de acompanhamento e avaliação de resultados de cada tratamento. Tabela Comparativa: Características Centrais Antes de avançar para a aplicação prática de cada conceito, a tabela abaixo resume de forma comparativa as principais características, bases e objetivos de cada instrumento. Essa visão geral facilita a compreensão das diferenças e complementaridades entre jornada do paciente, linha de cuidado, guidelines, diretrizes clínicas e PCDT. Instrumento Foco Principal Base Objetivo Responsável Típico Jornada do Paciente Experiência vivida Realidade do paciente Entender barreiras e vivências reais Pacientes, instituições, pesquisa Linha de Cuidado Processo assistencial Rede de serviços Coordenar a continuidade do cuidado Prestadores, Gestores e operadoras Guideline Clínico Evidência científica Revisão sistemática Padronizar boas práticas clínicas Sociedades médicas, OMS Diretriz Clínica Padronização nacional Consenso + evidências Uniformizar condutas assistenciais Ministério da Saúde, ANS PCDT Acesso e regulação Evidência + economia Garantir acesso regulado no SUS CONITEC / Ministério da Saúde Como o VBHC e os Dados de Vida Real Impactam Cada Instrumento Feitas essas considerações conceituais, é importante entender como a integração da Saúde Baseada em Valor (VBHC) e dos dados de vida real (RWD) potencializa cada um desses instrumentos. A tabela a seguir resume de forma clara o papel dos dados reais e as contribuições do VBHC para cada conceito abordado. Instrumento Papel dos Dados de Vida Real (RWD) Contribuição do VBHC Jornada do Paciente Capta PROMs/PREMs, adesão, tempos de espera, qualidade de vida Informa a avaliação de valor percebido pelo paciente Linha de Cuidado Avalia fluxos reais, identifica gargalos, compara com o desenho ideal Permite medir valor durante um ciclo de avaliação para grupos de pacientes Guideline Clínico Complementa RCTs, cobre populações subrepresentadas Incorpora desfechos que importam na vida real Diretriz Clínica Suporta revisões baseadas em efetividade, não apenas eficácia Alinha padronização com entregas de valor PCDT Subsidia reavaliações e monitoramento de incorporações Sustenta modelos de pagamento por performance Transformando teoria em prática: caminhos para gestores, operadoras e indústria A transição para um modelo baseado em valor exige repensar a forma de produzir, interpretar e aplicar informações em saúde. Para cada ator do ecossistema, existem oportunidades práticas e estratégicas: • Gestores públicos: reavaliar protocolos com base na efetividade real, otimizar recursos e promover maior equidade no acesso e nos resultados. • Operadoras de saúde: redesenhar linhas de cuidado com foco em desfechos clínicos, adesão e redução de desperdícios, além de firmar contratos baseados em valor com a rede prestadora. • Indústria farmacêutica e de dispositivos: utilizar dados do mundo real para embasar decisões e adotar contratos ou acordos baseados em valor para a incorporação de tecnologias. Convergência de valor e dados: um novo ciclo para a saúde A convergência entre modelos baseados em valor e o uso sistemático de dados de vida real inaugura um novo ciclo na saúde. Neste ciclo, instrumentos como jornada, linha de cuidado, guidelines e protocolos deixam de ser estruturas estáticas e passam a ser ferramentas dinâmicas, orientadas por aquilo que realmente importa: o valor gerado para o paciente e para o sistema como um todo. Profissionais da saúde, gestores, reguladores e a indústria têm, juntos, a oportunidade de transformar conhecimento em cuidado mais inteligente, eficiente e centrado em resultados reais.

Categorias Valor em Saúde Tags Jornada do paciente, Linha de cuidado, Protocolos clínicos, valor em saúde, vbhc Deixe um comentário

Modelos populacionais no VBHC: até que ponto são viáveis no Brasil?

10 de julho de 2025 Por IBRAVS
Eduardo Maia, SAS

A promessa de um cuidado preventivo, mais inteligente e menos fragmentado, tem ganhado força na discussão sobre Value-Based Health Care (VBHC) no Brasil. Em um sistema ainda guiado majoritariamente por modelos de remuneração por evento (Fee-for-Service), os modelos populacionais surgem como alternativa para romper com a lógica reativa e promover um cuidado que antecipa o adoecimento. Mas até que ponto esse modelo é viável, especialmente em um país com sistemas tão fragmentados quanto o Brasil? Quando se fala em modelos populacionais baseados em valor, segundo Eduardo Maia — sócio fundador da SAS (Soluções Avançadas em Saúde) e Diretor Geral do Hospital Municipal Oceânico Gilson Cantari, em Niterói (RJ) —, mais do que tecnologia ou infraestrutura, é preciso transformar o desenho dos contratos, os incentivos financeiros e, sobretudo, a cultura do sistema. Prevenção: o elo fraco dos modelos por evento Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), cada dólar investido em prevenção gera uma economia de quatro dólares no sistema de saúde. Ainda assim, os modelos baseados em evento tendem a ignorar as prevenções primária e secundária, justamente por não haver receita atrelada a algo que ainda não aconteceu. “No melhor cenário, os pagamentos por eventos remuneram a prevenção terciária e quaternária, exatamente devido ao impacto econômico em menor prazo”, explica Maia. Nos modelos populacionais, o raciocínio se inverte: a população é composta majoritariamente por pessoas saudáveis ou assintomáticas, e os eventos agudos deixam de ser receita para se tornarem custo operacional. Quanto mais eventos evitáveis forem reduzidos, melhor o desempenho. “Tantos eventos evitáveis de curto quanto de longo prazo fazem parte do escopo desse modelo. Isso é tanto mais apropriado quanto mais duradouro for o contrato.” A solução, diz ele, está no desenho inteligente da remuneração. “É preciso balancear os objetivos de curto e longo prazo. Critérios como cobertura vacinal ou controle de hemoglobina glicada são desfechos substitutos que podem ser utilizados para valorizar a prevenção, mesmo quando seus resultados levarem anos a aparecer.” Quando a eficiência vira suboferta Um dos principais riscos dos modelos populacionais com foco em eficiência é que se transformem em mecanismos disfarçados de contenção de custos. Sem o monitoramento adequado de desfechos, pode haver desassistência. O caminho é progressivo: é preciso incorporar métricas, ferramentas de mensuração e mecanismos de ganho compartilhado que orientem o comportamento dos atores para o Quadruple Aim. A satisfação do paciente, nesse contexto, é um critério mínimo de segurança contra o risco de suboferta. “Contratos sem um componente variável e sem métricas que assegurem, no mínimo, a não inferioridade em relação ao FFS — especialmente quanto à satisfação do paciente — são consideravelmente mais vulneráveis à ocorrência de desassistência. Ainda assim, esse risco tende a ser menor quando há uma boa avaliação do prestador por parte dos pacientes”, explica. Fragmentação não é desculpa Maia afirma que modelos populacionais com pagamento por valor são viáveis mesmo em sistemas fragmentados como o brasileiro. A chave está nos incentivos. “Uma arquitetura de incentivos que prestigie economicamente a resolução de desperdícios estimula a integração da cadeia de valor.” Segundo ele, não há nenhum incentivo para que um prestador busque o resultado de um exame feito recentemente em outro serviço. “São milhões de exames laboratoriais, de imagens e pareceres repetidos, absolutamente redundantes e fúteis, que consomem os recursos do sistema sem agregar valor nenhum para o paciente. Pense nos dados de saúde ocupacional, desperdiçados em sua quase totalidade por quem busca aplicar a lógica da gestão de saúde a um grupo populacional.” A integração, como em qualquer outro setor da economia, torna-se uma vantagem competitiva. Quem busca melhorar margens passa a buscar eficiência. Accountability compartilhada: quebra de paradigmas Para que a responsabilidade por desfechos seja compartilhada entre prestadores e operadoras, é preciso repensar os modelos de relação. “A matemática de soma zero — onde um ganha o que o outro perde — é, segundo os economistas, a raiz do desperdício, da retenção econômica, dos litígios e, consequentemente, da desconfiança e da resistência”, afirma Maia. Ele propõe construir modelos que alinhem interesses: “Todos ganham com a saúde, a satisfação e a comerciabilidade dos planos; todos perdem com a doença, o sinistro e a insatisfação. É esse alinhamento que viabiliza a sustentabilidade de longo prazo.” Nesse sentido, o conceito de payvider (provider + payer) traduz não apenas um novo modelo de remuneração, mas um novo modelo de negócio, baseado em cocriação entre as partes. Outro ponto relevante é que os modelos populacionais no mercado privado brasileiro se enquadram no que se convenciona chamar de “inovação disruptiva”. Segundo Clayton Christensen, professor de Harvard e autor da teoria, as inovações mais transformadoras costumam surgir nas bordas do sistema — e não no centro, onde o status quo tende a resistir e sufocar mudanças. Para Christensen, é nas periferias, onde há menos recursos, menos status e menos atenção, que existe mais espaço para experimentar. As recomendações, então, são: comece pequeno e pela periferia; estruture um modelo payvider (preferencialmente com prestadores ou operadoras que já tenham alguma experiência); pilote uma operação, aprenda com os resultados e, então, expanda o modelo. Sem dados, sem valor Um dos maiores desafios para os modelos populacionais é a ausência de dados longitudinais e de interoperabilidade. Mas, para Maia, isso não pode ser desculpa para a imobilidade. “O ótimo é inimigo do bom. A interoperabilidade é um ideal, mas historicamente nunca foi impeditivo para a gestão em saúde no mundo. O que falta é uma cultura de análise longitudinal, praticamente inexistente nos relatórios de sinistros por eventos (fee-for-service)”, afirma. O primeiro passo está no uso inteligente dos dados já disponíveis nas operadoras. “Mesmo sem interoperabilidade, é possível atribuir vidas, estimar carga de doença e identificar desperdícios. A questão não é tecnológica, mas cultural.” Segundo Maia, a evolução virá de forma progressiva. “Com o tempo, a troca de dados econométricos e epidemiológicos entre os parceiros gera conhecimento e oportunidades — inteligência — para o payvider, ampliando sua capacidade de identificar e resolver desperdícios. A infraestrutura se desenvolve como consequência natural do ganho de … Ler mais

Categorias Valor em Saúde Tags accountability, desfechos, Eduardo Maia, integração em saúde, interoperabilidade, modelos populacionais, pagamento por valor, payvider, prevenção, vbhc Deixe um comentário

Por que a odontologia suplementar ainda resiste à saúde baseada em valor?

16 de junho de 2025 Por IBRAVS
Fabio Nogi

Fabio Nogi aponta os entraves culturais, estruturais e tecnológicos que freiam a adoção do VBHC na odontologia suplementar — e alerta para os riscos de manter o modelo atual. A promessa de uma odontologia mais resolutiva e centrada no que realmente importa para o paciente avança lentamente no setor suplementar. Conceitos como saúde baseada em valor (VBHC), desfechos clínicos e medidas autorrelatadas ganham força em outras áreas, mas na prática odontológica ainda prevalece um modelo fragmentado, focado no volume de procedimentos e com baixa integração entre os atores. Com mais de 20 anos de atuação na saúde suplementar, Fabio Massaharu Nogi, Superintendente de Inovação e Odontologia na Seguros Unimed, analisa os entraves que travam a transformação do setor — e o que está em jogo se ela não acontecer. O modelo tradicional e o desalinhamento cultural Segundo Nogi — que também é diretor da SINOG, conselheiro consultivo do IBRAVS, membro do conselho da Yuni Digital e professor de MBA e pós-graduação —, a odontologia suplementar está somente começando sua jornada rumo ao VBHC. O modelo vigente ainda recompensa volume, não valor. Para que ocorra uma mudança significativa, é preciso repensar contratos e formas de remuneração, fortalecer a articulação entre operadoras, prestadores e pacientes, e investir em tecnologia capaz de gerar e analisar dados de desfecho com consistência. “Mais do que ferramentas, falta alinhamento estratégico e cultural. É necessário engajar todos os atores em um novo propósito, que vá além da entrega de procedimentos e coloque o bem-estar e a experiência do paciente no centro”, afirma. Medir o que importa: o papel dos desfechos e da experiência No campo dos indicadores, o AOHSS (Adult Oral Health Standard Set) reúne métricas clínicas e autorrelatadas (PROMs), abrangendo dor, estética e impacto psicossocial. Também se destacam instrumentos como OHIP e OIDP, voltados à qualidade de vida relacionada à saúde bucal. “Esses indicadores captam o impacto real das condições bucais na vida das pessoas, indo além do aspecto clínico e incluindo dimensões emocionais e sociais”, diz Nogi. No entanto, ele reconhece que o uso ainda é incipiente no Brasil. Para que ganhem tração, é preciso alinhar incentivos e mostrar, na prática, os benefícios tanto para profissionais quanto para pacientes. “Sem perceber valor, nenhum dos dois irá se engajar.” Além disso, as ferramentas precisam ser adaptadas ao contexto brasileiro — com linguagem acessível, aplicabilidade local e integração ao fluxo assistencial. Da coleta de dados à ação: desafios para dar voz ao paciente Coletar PROMs e PREMs não se resume a aplicar questionários. Para Nogi, trata-se de incorporar a perspectiva do paciente no processo de cuidado, o que exige infraestrutura tecnológica, capacidade analítica e uma mudança de mentalidade. Esse amadurecimento é essencial num cenário cada vez mais moldado por dados e inteligência artificial. “Sem ouvir o paciente, os profissionais perderão protagonismo frente à tecnologia.” Transformar essa escuta em ações concretas implica revisar processos, redimensionar o que se entende por sucesso clínico e redesenhar modelos assistenciais com foco na individualização. Confiança: o cimento dos modelos baseados em valor A transição para o VBHC depende da construção de confiança entre os atores do sistema, sustentada por quatro pilares: Definição conjunta de metas e indicadores, promovendo alinhamento e corresponsabilidade; Modelos de ganho compartilhado, que incentivem o foco nos desfechos; Relações colaborativas entre operadoras e prestadores, substituindo o viés fiscalizatório por práticas como revisão conjunta de casos; Cultura de experimentação, com pilotos e ciclos curtos de melhoria. “Sem espaço para testar e ajustar, corremos o risco de paralisar diante da complexidade da mudança”, afirma Nogi. Qualidade percebida: o primeiro passo do Triple Aim Entre os três objetivos do Triple Aim — melhorar o cuidado individual, a saúde populacional e reduzir custos —, Nogi defende que o primeiro deve ser prioridade na odontologia suplementar. Só a entrega de cuidado percebido como valioso pelo paciente cria engajamento e estabelece a base para metas populacionais e ganhos de eficiência. Ignorar essa etapa compromete a sustentabilidade de qualquer transformação. Personalização em escala: o futuro possível Historicamente, a padronização guiou os modelos de cuidado na odontologia suplementar. Com o avanço da tecnologia, torna-se possível personalizar — em escala — o cuidado, a partir de perfis clínicos específicos e interações com outras condições de saúde. “Pacientes com diferentes graus de periodontite podem ter planos de cuidado distintos, com metas específicas e conexões com doenças sistêmicas, como diabetes”, exemplifica Nogi. Essa diferenciação deve refletir também na remuneração: “o ideal é que a complexidade e os resultados orientem o pagamento.” Mais do que repetir protocolos, o desafio será criar fluxos assistenciais dinâmicos e responsivos, que conciliem integridade clínica e individualização. Educar o paciente é parte da transformação Muitos pacientes ainda associam valor a acesso rápido e cobertura ampla. Para que o modelo de valor avance, será preciso educar o público sobre o que realmente significa cuidado de qualidade: menos procedimentos desnecessários, mais prevenção, melhores desfechos e bem-estar no longo prazo. Esse processo exige uma comunicação clara, contínua e ancorada em exemplos práticos. O paciente precisa ser parceiro ativo — não apenas receptor de serviços. Valor exige cultura, colaboração e governança O maior obstáculo à disseminação do VBHC é cultural. “Ainda há receio de romper com modelos antigos, mesmo com tecnologias e frameworks já disponíveis”, afirma Nogi. Romper essa inércia exige uma agenda coletiva com participação de operadoras, prestadores, entidades de classe e órgãos reguladores, como a ANS. Além disso, é preciso evitar o erro de tratar o VBHC apenas como um novo modelo de pagamento. Trata-se de uma transformação sistêmica, que atravessa a organização do cuidado, o papel do paciente e a governança dos sistemas. “Valor não é custo. É o que de fato importa para o paciente”, conclui.

Categorias Valor em Saúde Tags desfechos clínicos, experiência do paciente, inovação em saúde bucal, odontologia suplementar, PREMs, PROMs, remuneração por valor, Saúde baseada em valor, transformação cultural, vbhc Deixe um comentário

Quais valores devem ser considerados na saúde? Um olhar aprofundado para a saúde baseada em valor

27 de maio de 202527 de maio de 2025 Por IBRAVS
Um olhar aprofundado para a saúde baseada em valor

Tradicionalmente, a avaliação de valor na saúde tem se concentrado na eficácia de custos, com foco na eficiência técnica e alocativa. No entanto, a evolução das políticas públicas e dos marcos conceituais em diversos países tem ampliado esse entendimento, incorporando aspectos éticos, sociais e individuais. Essa discussão é central para a implementação efetiva do modelo de Value-Based Health Care (VBHC). Os quatro pilares do valor na saúde Segundo o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), “Uma revisão global de cuidados baseados em valor: teoria, prática e lições aprendidas”, publicado pelo Escritório de País para a Índia (2025), o conceito de valor na saúde vem sendo expandido por diferentes jurisdições. A União Europeia, por exemplo, propõe uma estrutura conceitual baseada em quatro dimensões: Valor pessoal, que se refere ao cuidado apropriado para atingir os objetivos individuais dos pacientes; Valor técnico, que visa alcançar os melhores desfechos com os recursos disponíveis; Valor alocativo, focado na distribuição equitativa de recursos entre todos os grupos de pacientes; Valor social, que considera a contribuição do sistema de saúde para a participação social e a conexão comunitária. Princípios orientadores do NICE (Reino Unido) O National Institute for Health and Care Excellence (NICE), no Reino Unido, também definiu princípios para valorar o cuidado em saúde que abrangem aspectos morais como o respeito à autonomia, a não maleficência, a beneficência e a justiça distributiva. Esses princípios orientam a difícil tarefa de equilibrar tensões entre abordagens utilitaristas, que buscam maximizar a saúde da população, e igualitaristas, que defendem uma distribuição justa de oportunidades em saúde. O NICE ainda destaca a importância da justiça processual, garantindo a participação pública nas decisões, a possibilidade de contestação e revisão de decisões, e o uso de mecanismos públicos de regulação. Decisões devem ser fundamentadas em evidências clínicas e de saúde pública, levando em conta a efetividade, a custo-efetividade, a escolha individual, condições raras e o chamado “princípio do resgate”. Há ainda uma ênfase clara na não discriminação por fatores como raça, gênero, deficiência, status socioeconômico, idade ou condições estigmatizadas. Critérios emergentes nas revisões recentes sobre valor O relatório da OMS também aponta que revisões recentes identificaram uma ampla gama de critérios utilizados para avaliar tecnologias em saúde. Estudos como os de Cromwell et al. e Zhang et al. mostram que critérios como benefícios à saúde, acessibilidade, impacto social, carga da doença, qualidade da evidência, custo-efetividade, ética, equidade, necessidades não atendidas e inovação são frequentemente utilizados. A importância relativa desses valores pode variar de acordo com o contexto, o tipo de intervenção e o momento histórico, reforçando a necessidade de abordagens flexíveis e adaptáveis. Novos frameworks para avaliação de valor Reconhecendo as limitações da análise tradicional de custo-efetividade (CEA), diversos esforços internacionais vêm propondo modelos mais abrangentes. O Segundo Painel sobre Custo-Efetividade nos Estados Unidos sugere a inclusão de expectativas dos pacientes, questões legais, éticas, culturais e logísticas. Já a International Society for Pharmacoeconomics and Outcomes Research (ISPOR) desenvolveu o modelo Value Flower, que incorpora critérios econômicos, preocupações com justiça social e externalidades das tecnologias, especialmente no contexto de medicamentos e vacinas com custos crescentes. De quem são os valores considerados? Outra questão crítica abordada no relatório da OMS é a origem dos valores que devem orientar os sistemas de saúde. Os valores individuais dos pacientes nem sempre coincidem com os objetivos coletivos dos formuladores de políticas públicas. Em campanhas de vacinação, por exemplo, o direito individual de recusa pode entrar em conflito com a necessidade de alcançar a imunidade coletiva. Países como o Reino Unido e estados norte-americanos como Oregon vêm adotando abordagens mais inclusivas, reconhecendo a importância de integrar múltiplas perspectivas no processo decisório. Mecanismos de participação cidadã Governos têm adotado diversas estratégias para promover a participação pública nas decisões em saúde. No Reino Unido, o NICE conta com um conselho de cidadãos como instância formal de engajamento. Outras iniciativas incluem júris de cidadãos, reuniões comunitárias, enquetes de opinião, consultas públicas online e documentos de consulta compartilhados com grupos representativos. Essas práticas reforçam a legitimidade e a transparência das decisões, alinhando-se aos princípios da justiça processual. Como agregar diferentes valores na tomada de decisão? Frente à diversidade de valores em jogo, o relatório destaca a importância de frameworks que combinem análises técnicas com processos deliberativos envolvendo múltiplos stakeholders. Modelos como a Análise de Decisão Multicritério (MCDA), o EVIDEM (Evidence and Value: Impact on Decision Making) e a Análise Orçamentária Programática Marginal (PBMA) permitem ponderar diferentes critérios conforme sua relevância no contexto analisado. A atribuição de pesos pode ser feita por meio de painéis Delphi ou experimentos quantitativos, oferecendo maior precisão e legitimidade ao processo decisório. Conclusão: uma abordagem contextual, inclusiva e dinâmica Conforme destaca o relatório da OMS, não existe uma fórmula única ou universal para definir os valores que devem nortear os sistemas de saúde. O modelo de saúde baseada em valor (VBHC) exige uma abordagem contextualizada, que combine eficiência, equidade, evidência científica e participação cidadã. Além dos tradicionais indicadores de desfechos clínicos e experiências relatadas pelos pacientes (PROMs, PREMs e CROMs), é fundamental considerar critérios éticos, sociais e culturais para assegurar que o sistema de saúde gere valor real para as pessoas.

Categorias Valor em Saúde Tags avaliação de tecnologias em saúde, custo-efetividade, decisão em saúde pública, eficiência em saúde, EVIDEM, frameworks de valor em saúde, ISPOR, justiça em saúde, MCDA, NICE, participação cidadã em saúde, vbhc Deixe um comentário
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