CLAVS’25 marca o início de um novo plano de voo para a saúde baseada em valor na América Latina
O evento reuniu líderes do setor e foi palco para o lançamento do Framework “Um Caminho Prático para Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseado em Valor”, criando uma agenda comum para a região. Inspirado na trajetória de Santos Dumont, o Pai da Aviação, o 2º Congresso Latino-Americano de Valor em Saúde (CLAVS’25) buscou cocriar um novo plano de voo para a saúde na América Latina, mostrando que a saúde, assim como a aviação, precisa de tecnologia, visão e humanidade. Realizado pelo Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS), nos dias 25 e 26 de agosto, o evento reuniu, no Rio de Janeiro, mais de 500 participantes, entre gestores, reguladores, acadêmicos e lideranças do setor da saúde do Brasil, América Latina e Estados Unidos. Foram apresentadas experiências nacionais e internacionais, com debates sobre novos modelos de remuneração, práticas de mensuração de desfechos e estratégias de sustentabilidade para os sistemas de saúde. O encontro também celebrou a cooperação técnica entre a Agência de Saúde Suplementar (ANS), o IBRAVS, o Conselho Federal e os da 3ª e 4ª região de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. O objetivo é que essas entidades apoiem a Agência na operacionalização e ampliação do Programa Modelos de Remuneração Baseados em Valor para a saúde suplementar no Brasil. “No âmbito desse acordo, o IBRAVS lidera o desenvolvimento de dois dos cinco produtos previstos, a atualização do Guia para Implementação de Modelos de Remuneração Baseados em Valor; e o desenvolvimento de uma ferramenta de gestão de indicadores, disse César Abicalaffe, presidente do IBRAVS, na abertura do evento. Um novo plano de voo para a saúde A mensagem inicial foi de alinhamento: transformar o conhecimento acumulado em ações concretas e reprodutíveis para diferentes realidades. E para ajudar nessa missão, foi lançado o Framework IBRAVS: “Um Caminho Prático para Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseado em Valor”, uma ferramenta gratuita e acessível que organiza estratégias claras para implementar modelos de remuneração baseados em valor. O lançamento do framework simboliza um marco na consolidação da agenda de VBHC na região, oferecendo aos gestores e profissionais da saúde um guia estruturado para aplicar conceitos de valor em diferentes contextos, transformar práticas e gerar resultados mensuráveis para pacientes e sistemas de saúde. “É importante dizer que este documento não é um ponto final, mas um ponto de partida, e seguirá em evolução, com atualizações periódicas. Acreditamos firmemente que um sistema de saúde sustentável só será possível quando o valor entregue ao paciente estiver no centro das decisões”, ressaltou Abicalaffe. Na ocasião, o presidente do IBRAVS entregou a Maurício Nunes, diretor da Diretoria de Desenvolvimento Setorial (DIDES) da ANS, a primeira cópia do framework. “Maurício, sua determinação e resiliência foram essenciais para que este acordo de cooperação técnica se tornasse realidade. Tenha certeza de que está deixando um importante legado para a saúde de nosso país”, disse. Lideranças nacionais internacionais na mesa de abertura A mesa de abertura do CLAVS´25 contou com a presença da Dra. Carla Soares, diretora-presidente interina da ANS, que reforçou a necessidade de mudança cultural para a transição rumo ao valor. “Não basta ampliar o acesso, precisamos garantir acesso com qualidade. Esse é o verdadeiro sentido de valor em saúde.” Também participaram Maurício Nunes (ANS), Claudio Stivelman, Superintendente da Superintendência de Serviços de Saúde, órgão do Ministério da Saúde da Argentina, e Cristian Mazza, Presidente de ALAMI – Asociación Latinoamericana de Sistemas Privados de Salud, compondo um painel que refletiu os desafios e as oportunidades da região latino-americana. Programa da ANS para os próximos cinco anos Raquel Lisboa, gerente de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade dos Prestadores de Serviços na ANS, apresentou o programa “ANS Modelos de Remuneração Baseados em Valor”, que traça a visão da agência reguladora para os próximos cinco anos, em parceria com as entidades técnicas IBRAVS, COFFITO e CREFITOS 3 e 4. Segundo Maurício Nunes, a proposta é fruto de um trabalho coletivo iniciado em 2009 e representa uma entrega concreta ao país, impactando diretamente os mais de 53 milhões de beneficiários da saúde suplementar. Conceitos e cases A programação do CLAVS´25 foi dividida em blocos temáticos, seguindo o modelo do framework. O Bloco 1 construiu a base conceitual necessária para a compreensão e a aplicação prática do VBHC. Wilson Follador, conselheiro do IBRAVS e presidente da ISPOR Capítulo Brasil, apresentou os conceitos fundamentais de Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseados em Valor. Na sequência, Luiz Ribas, também conselheiro do IBRAVS, professor de Atenção Primária da UFPR e diretor médico na 2iM, apresentou o modelo de análise de decisão por multicritério (MCDA). Encerrando o bloco, Daniele Soutilha, pesquisadora do IBRAVS e doutoranda na Unigranrio, mostrou uma pesquisa e revisão de literatura sobre VBHC no Brasil e no mundo. O Bloco 2 foi dedicado a explorar os cinco principais Modelos de Remuneração Baseados em Valor. A dinâmica combinou uma abertura conceitual de cada modelo com a apresentação de cases práticos de instituições brasileiras e internacionais. O primeiro modelo abordado foi o Fee for Service (FFS) + Valor, conduzido por César Abicalaffe, presidente do IBRAVS, e Fabio Nogi, conselheiro do instituto e head da Unimed Odonto. A sessão destacou como o tradicional pagamento por procedimento pode ganhar eficiência e foco em qualidade ao ser combinado com métricas de valor. Em seguida, foram apresentados cases que mostraram como o modelo pode ser adaptado e aplicado no Brasil. Jacqueline Estevan, Governance Officer da Uniodonto Campinas, ensinou como construir cases de valor em saúde na odontologia. João Robles, gestor de Atenção Primária da Unimed São José do Rio Preto e vencedor da 3ª edição do Prêmio Cases de Valor em Saúde IBRAVS, compartilhou a experiência da cooperativa na implantação de um sistema de bonificação baseado em valor, que gerou impacto real no engajamento médico e na melhoria da assistência. Já Erickson Blun, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da ANSM, expôs um exemplo de aplicação do VBHC em pronto-socorro, no qual uma Unimed conseguiu reduzir custos e, ao mesmo tempo, melhorar a experiência do paciente. … Ler mais