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Valor em Saúde

Do caos à eficiência: é possível aplicar VBHC no “olho do furacão” do Pronto-Socorro?

29 de abril de 2026 Por Ibravs

O Pronto-Socorro (PS) é, por definição, um ambiente de incertezas. Alta demanda, imprevisibilidade clínica e uma heterogeneidade de casos que desafia qualquer planejamento. Tradicionalmente visto como um “centro de custo” ou um gargalo administrativo, o PS costuma ser o palco de decisões reativas onde a gestão parece limitada ao “apagar incêndios”. Mas, e se disséssemos que é justamente nesse cenário de alta complexidade que o Valor em Saúde (VBHC) pode brilhar mais intensamente? No mais recente episódio do VBHCast, o podcast oficial do IBRAVS, recebemos a Dra. Natália Saraceni, cirurgiã e gestora, para discutir como transformar o PS em um verdadeiro guardião da sustentabilidade institucional. Por que o Pronto-Socorro é o “Guardião do Sistema”? Muitos gestores olham para o pronto-atendimento apenas como uma fonte de prejuízo e reclamações. No entanto, a Dra. Natália trouxe uma perspectiva provocadora: o PS é o principal termômetro e o “portão de entrada” que organiza o acesso de todo o sistema hospitalar. Se ele não funciona bem, o hospital inteiro sofre as consequências de fluxos interrompidos e ineficiência. O PS precisa ser, necessariamente, um lugar de espera infinita? O senso comum diz que, se o volume de pacientes aumenta, o tempo de espera deve subir proporcionalmente. O case da Unimed Piracicaba, apresentado pela Dra. Natália no CLAVS 2025 (Congresso Latino-Americano de Valor em Saúde), prova exatamente o contrário através da metodologia correta. Confira os resultados reais alcançados em apenas seis meses de projeto: Como essa transformação foi feita na prática? Você deve estar se perguntando: qual é a “fórmula mágica”? A resposta não está em milagres, mas em três pilares fundamentais discutidos no episódio: O que falta para sua instituição dar esse passo? O VBHC no Pronto-Socorro não é sobre cortar recursos, mas sobre aplicá-los onde eles geram mais valor para o paciente e menos desperdício para o sistema. Para a Dra. Natália, o ingrediente final é a coragem da liderança. Segundo ela, sem dados, não conseguimos fazer absolutamente nada. Caso contrário, ficaremos apenas tratando o efeito e nunca a causa raiz. Quer saber como aplicar essas métricas no seu dia a dia? Veja aqui o episódio completo do VBHCast, uma produção do IBRAVS com apoio institucional da Novartis. E acesse aqui mais informações sobre a Universidade de Valor do IBRAVS.

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Gestão estratégica da saúde e VBHC: por que o sistema precisa de um arquiteto da decisão

24 de abril de 2026 Por Ibravs

Boas intenções não reduzem custos. Princípios não transformam sistemas. Embora o debate sobre VBHC e sustentabilidade tenha amadurecido, o setor de saúde brasileiro ainda patina em uma lacuna crítica: a distância entre o que se fala nos congressos e o que se executa nas operações. O sistema atual funciona como uma coleção de partes autônomas, gerando decisões reativas e incentivos desalinhados. O que falta não é conceito; é estrutura. É neste cenário de fragmentação que surge a necessidade de uma figura central: o arquiteto da decisão. A lacuna entre o discurso de valor e a prática operacional Nos últimos anos, a Gestão Estratégica da Saúde e VBHC tornaram-se termos onipresentes. No entanto, o sistema ainda opera sob lógicas de curto prazo e pressão regulatória. Essa desconexão não é apenas conceitual, é estrutural. A transformação real só acontece quando os princípios de valor orientam escolhas clínicas e econômicas reais. Assim, organizar a complexidade do sistema deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade. Estruturar decisões com método, dados e governança é o que permite que organizações avancem com clareza, sustentem escolhas difíceis e reduzam o risco de decisões reativas. O que é VBHC e Gestão Estratégica da Saúde? Para que o sistema funcione, precisamos responder a perguntas fundamentais que a gestão tradicional muitas vezes ignora: Gestão estratégica da saúde e VBHC na prática Integrar gestão estratégica da saúde e VBHC significa sair do campo abstrato e atuar diretamente sobre como o sistema funciona. Isso envolve: Em outras palavras, trata-se de transformar conceitos em decisões concretas — e decisões em implementação. O papel do “arquiteto da decisão” Diante desse cenário, ganha relevância uma função ainda pouco estruturada no sistema: a capacidade de organizar a complexidade e transformar dilemas em caminhos viáveis. É nesse contexto que emerge a ideia do arquiteto da decisão. Mais do que propor soluções ou defender modelos, esse papel consiste em: A integração entre gestão estratégica da saúde e VBHC depende, essencialmente, dessa capacidade de transformar intenção em direção e direção em ação. Do conhecimento à transformação: como isso se materializa Para que essa lógica funcione, é necessário conectar formação, aplicação prática e execução. Na prática, isso se traduz em três dimensões complementares: Essa combinação é o que permite sair do conceito e avançar para a transformação prática do sistema. Decidir melhor é sustentar escolhas A integração entre gestão estratégica da saúde e VBHC exige atuar onde as decisões de fato acontecem: no desenho de modelos, na governança e na articulação entre stakeholders. Decidir melhor não é apenas escolher caminhos.É sustentar escolhas ao longo do tempo, com critérios claros, responsabilidade e capacidade de adaptação. Isso implica reconhecer limites, assumir consequências e organizar o sistema de forma coerente com aquilo que se pretende alcançar. O futuro da saúde exige decisões que resistem ao tempo Decidir melhor não é apenas escolher caminhos; é ter o método para sustentar essas escolhas. A integração entre gestão estratégica da saúde e VBHC exige atuar onde os gargalos de fato acontecem: no desenho de modelos, na governança e na articulação entre quem paga e quem cuida. A sustentabilidade do setor não nascerá de soluções isoladas ou discursos inspiradores. Ela será fruto de uma arquitetura de decisão técnica, independente e, acima de tudo, executável. 

Categorias Valor em Saúde Tags Decisão Estratégica, gestão em saúde, Sustentabilidade, valor em saúde, vbhc Deixe um comentário

IBRAVS e Novartis firmam parceria para formar líderes em Saúde Baseada em Valor no Brasil

8 de abril de 2026 Por IBRAVS

Segunda temporada do Value Summit amplia capacitação em VBHC e reforça a importânciade decisões orientadas por valor para a sustentabilidade do sistema de saúde. O Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS) e a Novartis firmaram parceria para a realização da segunda temporada do Value Summit, programa estruturado de capacitação em Saúde Baseada em Valor (VBHC – Value-Based Health Care). A iniciativa tem comofoco a formação de lideranças capazes de operar estrategicamente em sistemas complexos e tomar decisões orientadas por valor, com impacto concreto na sustentabilidade e na qualidade do sistema de saúde brasileiro. A nova edição traz novidades, como a combinação de aulas ministradas por grandesespecialistas com dinâmicas ativas fundamentadas na andragogia — abordagem voltada à educação de adultos. São abordados temas como o cenário e os desafios do mercado de saúde, valor comocritério central de decisão, gestão populacional e estratificação de risco, linhas de cuidado integradas e organização por processos assistenciais, governança clínica baseada em valor, uso de PROMs e PREMs na avaliação de desfechos, gestão estratégica de custos, modelos de remuneração baseados em valor e alinhamento de incentivos. A nova etapa do programa aprofunda ainda temas como ciência da decisão e modelosmulticritério (MCDA), contratualização e gestão de risco, sustentabilidade econômica e escalabilidade, consolidando a proposta de transformar conceitos em decisões estruturadas e aplicáveis ao sistema de saúde. O programa também passa a contar com ações específicas para apoiar e estimular aaplicação prática do conhecimento adquirido, incluindo uma etapa final de apresentação das melhores propostas. Nessa fase, os participantes poderão submeter projetos de Valor em Saúde, e os finalistasapresentarão suas propostas em um pitch de 10 minutos para uma banca avaliadora,concorrendo a premiações e reconhecimentos institucionais. A proposta é transformar conhecimento conceitual em prática estruturada, estimulando a implementação de modelosassistenciais e de remuneração baseados em valor. Criado em 2018, o IBRAVS é uma instituição dedicada à gestão estratégica da saúde, com atuação voltada à estruturação de decisões complexas e à organização da sustentabilidadesistêmica do setor. O Instituto entende que valor em saúde não é um discurso aspiracional, mas o critério que deve orientar decisões clínicas, gerenciais e econômicas responsáveis, com impacto real sobre pessoas, organizações e o futuro do sistema. Para o IBRAVS, a transição do modelo tradicional para um modelo orientado por desfechos, coordenação e sustentabilidade exige mais do que conhecimento técnico. Exige método, pensamento sistêmico e capacidade de transformar princípios amplamente aceitos emmodelos concretos de gestão e implementação. “Nosso papel não é apenas qualificar o debate, mas apoiar líderes na estruturação dedecisões complexas. O IBRAVS atua para organizar a complexidade do sistema de saúde e transformar o valor em saúde em prática de gestão. Isso significa estruturar caminhos viáveis, alinhar incentivos, sustentar mudanças organizacionais e gerar impacto consistente em desfechos clínicos e sustentabilidade financeira”, afirma César Abicalaffe, presidente do IBRAVS. Para a Novartis, a iniciativa reforça seu compromisso com a inovação para além da molécula. “Estamos comprometidos em apoiar ativamente a criação de soluções sustentáveis para o sistema de saúde brasileiro, atuando em colaboração com os diferentes atores desse ecossistema. A parceria com o IBRAVS fortalece essa visão ao apoiar a formação de lideranças capazes de integrar inovação clínica, responsabilidade sistêmica esustentabilidade, garantindo que o avanço científico se traduza em valor real para ospacientes e para o sistema de saúde”, destaca Michel Conte, Diretor Executivo de Valor eAcesso, da Novartis. Ao estruturar um programa contínuo de formação e aplicação prática, o Value Summit busca contribuir para a consolidação de uma cultura de decisão orientada por valor no país. Em um sistema marcado por fragmentação, incentivos desalinhados e pressão crescente por sustentabilidade financeira, o desenvolvimento de lideranças capacitadas em VBHC é apontado como condição necessária para viabilizar mudanças estruturais de longo prazo.

Categorias Valor em Saúde Tags gestão em saúde, IBRAVS, modelos de remuneração baseados em valor, Novartis, Saúde baseada em valor, valor em saúde, Value Summit, vbhc Deixe um comentário

Lições internacionais de VBHC que podem ajudar o Brasil a acelerar

8 de abril de 20266 de fevereiro de 2026 Por IBRAVS
Lições internacionais que podem ajudar a acelerar o Brasil em VBHC

Conheça as principais lições internacionais de VBHC para o Brasil avançar na agenda de valor em saúde, com foco em resultados e sustentabilidade. A transição para um sistema de saúde guiado por valor é um movimento global — e países que avançaram nessa agenda já mostram caminhos claros para acelerar a transformação no Brasil. O relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) chamado “Uma revisão global de cuidados baseados em valor: teoria, prática e lições aprendidas”, publicado em 2025, destaca experiências dos Estados Unidos, Reino Unido, Holanda e outras nações, apontando os elementos que diferenciam sistemas que de fato evoluíram do modelo baseado em volume para o modelo baseado em valor. Para além da retórica, a agenda de Value-Based Healthcare (VBHC) exige estrutura, incentivos, governança e cultura. E essas referências internacionais podem ser o norte para que o Brasil acelere sua rota. “Adotar valor em saúde não é importar modelos — é aprender com o que funcionou no mundo e adaptar à nossa realidade, respeitando a complexidade do SUS, da saúde suplementar e de nossa demografia”, afirma Cesar Abicalaffe, presidente do IBRAVS. Segundo ele, o Brasil tem capacidade técnica e institucional para avançar, mas é preciso priorizar o paciente como unidade central, investir em dados e construir mecanismos de pagamento realmente vinculados a desfechos clínicos e experiência assistencial. Governança e incentivos alinhados Países que avançaram criaram políticas nacionais para o VBHC e estruturas regulatórias que premiam resultados, e não volume. Nos EUA, por exemplo, programas federais como o de readmissões hospitalares e incentivadores de qualidade demonstraram impacto direto em eficiência e desfechos. No Reino Unido, programas como o Getting It Right First Time contribuíram para reduzir variabilidade injustificada e elevar padrões assistenciais. “Quando o financiamento passa a reconhecer quem entrega qualidade mensurável, toda a cadeia se organiza para melhorar — do médico ao hospital, da operadora ao paciente. Sem incentivos bem calibrados, o valor não escala”, ressalta Abicalaffe. Medição consistente de resultados e experiência do paciente O relatório reforça que sistemas maduros adotaram PROMs e PREMs de maneira estruturada, padronizada e integrada às decisões clínicas e financeiras. Na prática, isso significa medir não apenas procedimentos e indicadores operacionais, mas aquilo que realmente importa para o paciente. As PROMs (Patient-Reported Outcome Measures) são instrumentos que capturam diretamente, pela perspectiva do paciente, os resultados de saúde alcançados — como dor, capacidade funcional, qualidade de vida, fadiga, mobilidade e impacto da doença no dia a dia. Os PREMs (Patient-Reported Experience Measures), por sua vez, avaliam a experiência do paciente com o cuidado recebido — incluindo comunicação, acolhimento, acesso, coordenação e percepção de segurança e respeito. Em países que avançaram no VBHC, essas informações orientam protocolos, reorganizam jornadas assistenciais, embasam contratos de remuneração e permitem comparar desempenho entre serviços e regiões, promovendo transparência e melhoria contínua. “Sem ouvir o paciente e medir sua evolução real — funcional, emocional e social — a gestão em saúde fica incompleta. PROMs e PREMs são o termômetro do valor; eles traduzem impacto em vida real, não apenas em planilhas”, destaca Cesar Abicalaffe. Tecnologia e interoperabilidade como infraestrutura crítica Holanda e países escandinavos mostram que interoperabilidade, prontuários conectados e plataformas nacionais são decisivos para implementar VBHC em escala. A OMS destaca que dados clínicos integrados possibilitam transparência, comparação e gestão ativa de risco. “Sem dados comparáveis, não há valor — há apenas percepções. O Brasil precisa transformar informação clínica em inteligência assistencial, e isso exige integração, governança e incentivos”, enfatiza Abicalaffe. Foco em cuidado coordenado e continuidade assistencial Cuidado fragmentado mina valor. Sistemas que avançaram reforçaram atenção primária robusta, integração entre níveis e modelos baseados em populações, com atenção à cronicidade e prevenção. Cultura de valor: o fator invisível que define o sucesso A OMS reforça que mudanças em incentivos e tecnologias são insuficientes sem cultura profissional voltada a valor, segurança e transparência de desfechos. Países líderes investiram em formação, engajamento clínico e aprendizado contínuo. “Valor exige protagonismo clínico. Não se faz VBHC com dashboards — se faz com equipes engajadas, sensibilidade ao paciente e compromisso ético com resultados”, conclui Abicalaffe. Um caminho brasileiro: inspiração global, construção local O Brasil tem desafios particulares — como inequidades regionais, alta complexidade e fragmentação entre sistemas. Ao mesmo tempo, possui fortalezas: capilaridade da atenção primária, instituições consolidadas e capacidade técnica relevante. A agenda de valor já começou no país, com iniciativas governamentais e privadas, e pode ganhar velocidade. “O futuro da saúde passa por medir, comparar, aprender e remunerar melhor quem cuida melhor. O Brasil está preparado — falta escala e coordenação. O IBRAVS está comprometido em ser ponte entre evidência, política pública e prática assistencial”, finaliza Abicalaffe.

Categorias Modelos de Remuneração, Valor em Saúde Tags PROMs e PREMs, sistemas de saúde internacionais, valor em saúde, vbhc Deixe um comentário

Cultura Data-Driven na saúde transforma mais pela prática simples do que pela tecnologia

20 de janeiro de 2026 Por IBRAVS
cultura Data-Driven na saúde

A cultura Data-Driven na saúde nasce do simples: rotina, indicadores e constância. Uma transformação cultural mais poderosa que qualquer tecnologia. Nos últimos anos, tornou-se comum ouvir que a saúde precisa se tornar “Data-Driven”. O termo aparece em apresentações, eventos, cursos, diagnósticos organizacionais e discursos de transformação digital. No entanto, a verdadeira mudança cultural não nasce de algoritmos sofisticados, inteligência artificial ou métodos estatísticos complexos. Ela começa muito antes — e de forma surpreendentemente simples. O desenvolvimento de sistemas de Analytics para avaliar valor em saúde em diferentes linhas de cuidado tem evidenciado desafios importantes. Do ponto de vista metodológico, ainda há um caminho significativo a percorrer. Grande parte dos dados necessários — cerca de 80% — já existe, mas não está acessível de forma estruturada. Além disso, os modelos de referenciais de Valor em Saúde são recentes no país; o próprio Framework lançado pelo IBRAVS, com seus domínios, indicadores e benchmarks, é um passo importante justamente porque cria uma base comum para aprendizado colaborativo entre instituições diversas. Mesmo assim, algo profundo aconteceu: a cultura de gestão orientada por dados começou a se transformar. A força do simples: indicadores, rotina e um comitê que olha para o dado A mudança não surgiu de modelos matemáticos avançados. Surgiu do básico — e do que, na prática, ainda são poucos que fazem de forma consistente: Definir indicadores claros que representam resultados e processos assistenciais que impactam nos resultados. Estabelecer uma periodicidade real de acompanhamento (mensal, quinzenal, contínua). Criar um grupo de trabalho que se reúne para olhar, analisar e tomar decisões.. Mesmo sem uma governança sofisticada ou uma metodologia totalmente madura para identificar causas, avaliar impacto das mudanças, simular melhorias ou revisar metas de forma estruturada, o simples ato de olhar para o dado com regularidade transforma comportamento. É quase como aquele princípio da física quântica em que o fenômeno muda quando é observado: quando os profissionais passam a acompanhar indicadores de forma consistente, algo profundo acontece. Em diferentes projetos de implementação, é perceptível como essa rotina — ainda que apoiada em métodos simples — altera a forma de enxergar problemas, priorizar ações e tomar decisões. A disciplina de observar o dado cria um novo padrão mental, que substitui opiniões isoladas por evidências, reduz vieses e abre espaço para discussões mais técnicas e menos subjetivas. É essa prática, e não a tecnologia, que inaugura a verdadeira cultura Data-Driven. “Rápido e Devagar”: por que isso funciona tão bem? Daniel Kahneman, em Rápido e Devagar, explica que grande parte das nossas decisões é guiada pelo que ele chama de Sistema 1: rápido, intuitivo, cheio de certezas e igualmente cheio de vieses. A saúde é um terreno fértil para esse tipo de atalho mental.Profissionais experientes têm percepções fortes, mas não necessariamente precisas. Muitas decisões são tomadas com base em: – impressões; – memórias recentes; – experiências marcantes; – preferências pessoais; – narrativas intuitivas de causalidade. O dado tem o poder de acionar o Sistema 2 — analítico, deliberado, desconfortável, mas muito mais preciso. E, quando um painel mostra taxas, tempos, variações e desfechos reais, a percepção muda. Surge um debate menos subjetivo e mais objetivo. O dado não substitui a experiência, mas protege a decisão dos vieses da experiência. A medicina personalizada e o aumento exponencial da complexidade Há ainda um fator contemporâneo que torna a cultura Data-Driven indispensável: a personalização da medicina. Hoje, dois pacientes com o mesmo diagnóstico podem ter jornadas assistenciais completamente distintas. Protocolos se adaptam, condutas variam de forma legítima, e o cuidado precisa ser mais individualizado. Isso cria um ambiente em que: – o ajuste de risco é necessário, mas não é suficiente; – fatores sociais influenciam adesão e comportamento; – fatores psicológicos alteram desfechos de maneira significativa; – fatores culturais moldam percepções e expectativas; – e tudo isso muda ao longo do tempo, o elemento mais subestimado da gestão. Em outras palavras, o cenário atual é muito mais dinâmico, complexo e não linear que o de décadas passadas. Mesmo em modelos bem estruturados de linhas de cuidado, a gestão precisa equilibrar decisões entre custo e qualidade, seja para toda a linha assistencial, seja para um procedimento cirúrgico específico. E esse equilíbrio se torna ainda mais delicado quando há limitação de recursos financeiros — o que é realidade permanente no setor saúde. Esse novo contexto faz com que a intuição, sozinha, não consiga mais acompanhar a complexidade das interações. A cultura Data-Driven deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade. O dado como elemento de redução de incerteza — sem eliminar a individualidade Ao olhar para pacientes com necessidades únicas, a gestão se vê obrigada a equilibrar: personalização do cuidado e sustentabilidade da operação. O dado não elimina a variabilidade individual, mas reduz a incerteza ao redor dela. Ajuda a: – comparar riscos ajustados; – monitorar resultados por subgrupos pequenos; – controlar variações injustificadas; – entender custos incrementais reais; – identificar tendências antes que se tornem problemas; – ajustar estratégias com base em fatos, não percepções. No cenário da medicina personalizada, a ausência de dados não é apenas uma limitação — é um risco institucional. Sofisticação como consequência, não como ponto de partida A maturidade analítica certamente evolui com o tempo. E deve evoluir:virão modelos mais complexos de ponderação, benchmarks mais ajustados, comparativos externos, análises preditivas e estudos de causalidade. Mas a sofisticação só tem valor quando existe disciplina e cultura para sustentá-la. A cultura Data-Driven começa com hábito, não com ferramenta. Começa com um pequeno comitê, não com inteligência artificial. Começa com indicadores simples, não com regressões avançadas. A tecnologia refina a cultura;mas é a cultura que dá sentido à tecnologia. A transformação é cultural, não tecnológica Cultura Data-Driven significa tomar decisões com base na melhor informação disponível, não nas impressões mais convincentes. Significa criar um ambiente em que o dado é o primeiro passo da conversa, e não o último. Mesmo metodologias simples, quando aplicadas com consistência, já produzem uma ruptura profunda na forma de gerir saúde. Elas reduzem vieses, revelam padrões invisíveis à intuição e permitem … Ler mais

Categorias Valor em Saúde Tags cultura Data-Driven, gestão em saúde, indicadores assistenciais, transformação digital em saúde, valor em saúde Deixe um comentário

Como medir valor em saúde exige ir além de fórmulas simples

20 de janeiro de 202616 de dezembro de 2025 Por IBRAVS
Como medir valor em saúde exige ir além de fórmulas simples

Em artigo no American Journal of Biomedical Science & Research, Cesar Abicalaffe defende que modelos lineares e unidimensionais já não dão conta da complexidade da entrega de valor em saúde. O debate sobre Value-Based Health Care avançou muito na última década, mas ainda esbarra em uma pergunta central: como medir valor de forma consistente, comparável e aplicável à realidade dos sistemas de saúde? No artigo How to Measure Value in Health Care: Why Multidimensional Metrics Must Replace Linear Models, publicado no American Journal of Biomedical Science & Research, o presidente do IBRAVS, Cesar Abicalaffe, defende que modelos lineares e unidimensionais já não dão conta da complexidade da entrega de valor em saúde A partir de uma análise crítica da equação clássica “desfechos sobre custo”, o texto demonstra por que indicadores isolados falham ao tentar representar desempenho assistencial, eficiência operacional, experiência do paciente e uso racional de recursos. A proposta apresentada é a adoção de frameworks multidimensionais baseados em Multi-Criteria Decision Analysis (MCDA), capazes de integrar diferentes dimensões com pesos transparentes e baseados em evidência. Nesse contexto, o artigo detalha o Health Value Score (EVS), metodologia desenvolvida e validada no Brasil, já aplicada em mais de 100 hospitais e operadoras, avaliando dezenas de milhares de profissionais e múltiplas condições clínicas. O EVS se consolida como um instrumento prático para governança clínica, modelos de pagamento baseados em valor e comparação justa de desempenho, preservando rigor técnico e viabilidade operacional. Essa base conceitual se conecta diretamente ao movimento liderado pelo IBRAVS de construção de um modelo nacional de referência, integrando a metodologia EVS a indicadores e benchmarks mínimos por condição clínica e especialidade. O objetivo é claro: viabilizar comparabilidade, transparência e um entendimento mais preciso do que, de fato, representa não só  entrega de valor na saúde brasileira, como um avanço técnico e institucional relevante para o posicionamento do Instituto. Leia o conteúdo clicando aqui ou abaixo!

Categorias Valor em Saúde Tags Cesar Abicalaffe, valor em saúde, vbhc Deixe um comentário

Na era do valor, certificações na saúde são o passaporte para a credibilidade

20 de janeiro de 202612 de dezembro de 2025 Por IBRAVS
Certificações

Entenda a importância das certificações na saúde e como elas elevam qualidade, confiança e resultados no sistema de saúde brasileiro. Em um momento de profundas transformações no sistema de saúde — com avanços digitais, novos modelos de cuidado e foco crescente em eficiência — a importância das certificações na saúde se torna cada vez mais evidente. Elas não são apenas diferenciais competitivos, mas também a base para garantir qualidade, governança e transparência em toda a jornada assistencial. Para o presidente do IBRAVS, César Abicalaffe, fortalecer a cultura de valor depende de competência técnica aliada a resultados reais para o paciente. “A saúde deveria buscar uma gestão que priorize explicitamente os desfechos em saúde importantes para os pacientes, em relação aos seus custos”, afirma. Certificações reconhecidas asseguram que profissionais e organizações dominem metodologias atualizadas, aplicáveis e orientadas por valor. Em um setor altamente regulado e que envolve vidas, a capacitação contínua e certificada é um ativo estratégico para: Profissionalização e credibilidade padronizar práticas baseadas em evidências; garantir segurança e qualidade assistencial; elevar o nível de governança e responsabilidade técnica; e promover transparência e ética profissional. Mais do que um selo, a certificação representa um compromisso real com a excelência e a melhoria contínua. Eficiência, resultados e sustentabilidade A agenda contemporânea da saúde é orientada para desfechos clínicos, experiência do paciente e custos totais da jornada de cuidado. Nesse contexto, a certificação ajuda instituições e profissionais a implementarem modelos mais eficientes, com foco em: eliminação de desperdícios; ganho de produtividade; processos claros e mensuráveis; e  cuidado centrado no paciente. Segundo Abicalaffe, a lógica é simples: “melhorar a remuneração do prestador com os recursos advindos da redução do desperdício e da melhoria da eficiência operacional”. Certificação é a base para essa maturidade de gestão. Diferenciação e confiança de mercado Em um cenário competitivo, ser certificado significa estar pronto para atuar em um ecossistema mais exigente, interoperável e orientado a valor. Operadoras, hospitais, laboratórios e empresas de tecnologia buscam parceiros e líderes que comprovem competências de forma estruturada. Para profissionais, a certificação fortalece autoridade técnica e empregabilidade. Para organizações, amplia confiança, reputação e preparo estratégico. Impacto sistêmico Certificar-se também contribui para o desenvolvimento de um sistema de saúde mais sustentável. Profissionais e organizações qualificados disseminam conhecimento, melhoram práticas e elevam o nível de toda a cadeia. O paciente — centro de qualquer modelo de cuidado — se beneficia de serviços mais precisos, humanizados e eficientes. “Certificações na saúde são mais do que um selo: representam compromisso com qualidade, ética, eficiência e foco no paciente. Elas são, acima de tudo, um passo estratégico para construir um sistema de saúde orientado por valor”, finaliza Abicalaffe.

Categorias Valor em Saúde Tags capacitação profissional em saúde, certificações em saúde, governança em saúde, qualidade assistencial, Saúde baseada em valor Deixe um comentário

Risk sharing: um caminho para mais valor e menos desperdício na saúde brasileira

22 de outubro de 2025 Por IBRAVS
gabriela-tannus

Modelo de compartilhamento de risco ganha espaço no Brasil como estratégia para tornar o sistema de saúde mais justo, sustentável e centrado no paciente. “As invenções são, sobretudo, o resultado de um trabalho teimoso”, disse Santos Dumont — e a frase do patrono da aviação brasileira nunca foi tão atual para quem trabalha com inovação em saúde. Em tempos de tratamentos de alto custo, pressão por resultados e escassez de recursos, o setor vem buscando soluções ousadas e persistentes para viabilizar um cuidado mais inteligente e efetivo. É nesse cenário que o modelo de risk sharing, ou compartilhamento de risco + valor, vem ganhando força no país. “O risk sharing é uma forma de parceria entre quem paga pelo tratamento — como planos de saúde ou o SUS — e quem oferece a tecnologia, como laboratórios ou hospitais. Se um medicamento ou terapia não trouxer o resultado prometido, a empresa assume parte do prejuízo”, explica Gabriela Tannus, economista, especialista em acesso e inovação em saúde, diretora do IBRAVS – Instituto Brasileiro de Valor em Saúde e CEO do GTannus Group. Segundo ela, a compensação pode vir de diversas formas: devolução de valores, nova rodada de tratamento ou outros acordos previamente definidos. O objetivo é simples: o sistema só deve pagar pelo que, de fato, funciona. Esse tipo de contrato é uma das estratégias dentro do modelo mais amplo de saúde baseada em valor, que busca priorizar a qualidade dos desfechos em vez do volume de procedimentos. “O que diferencia o risk sharing é justamente essa aposta conjunta no resultado: se der certo, todos ganham. Se não, os riscos também são divididos”, afirma Gabriela. Mais do que uma inovação contratual, o modelo é uma ferramenta poderosa para garantir a sustentabilidade do sistema de saúde. “Quando a gente paga apenas por aquilo que realmente funciona, evita desperdícios e garante um uso mais inteligente dos recursos — que são sempre limitados. Isso é especialmente importante em tratamentos caros, como os de câncer ou doenças raras”, diz. Os números reforçam a urgência dessa mudança. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 20% a 40% dos gastos em saúde no mundo são desperdiçados por ineficiência, uso inadequado de tecnologias, tratamentos ineficazes e má coordenação dos cuidados. No Brasil, um estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) estima que R$ 28 bilhões por ano são desperdiçados na saúde suplementar, especialmente por fraudes, exames desnecessários e terapias sem efetividade comprovada. Já no setor público, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que 30% dos recursos podem ser desperdiçados por má gestão, falta de controle e políticas ineficientes. Aplicável ao SUS e à saúde suplementar Segundo Gabriela, o modelo pode ser implementado tanto no setor público quanto no privado, mas os contextos são bem distintos. No SUS, há barreiras regulatórias, como exigências legais e dificuldade de monitorar os resultados em tempo real. Já na saúde suplementar, há mais flexibilidade para negociação, mas também mais fragmentação entre operadoras, prestadores e fornecedores. “Cada um tem seu desafio, mas o modelo pode funcionar nos dois lados”, ressalta. Apesar do potencial, a adoção em larga escala ainda esbarra em entraves estruturais e jurídicos. “Faltam dados organizados, é difícil acompanhar os resultados dos pacientes ao longo do tempo e precisamos de contratos mais claros e seguros. Mas já temos bons sinais de que é possível avançar”, afirma. Para ela, o Brasil está no início dessa jornada e precisa investir em sistemas de informação, confiança entre as partes e um ambiente regulatório que incentive, e não impeça, a inovação. LGPD e foco no paciente Outro ponto de atenção é a proteção de dados clínicos, especialmente à luz da LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados. “Todo modelo de risk sharing precisa cuidar muito bem dos dados dos pacientes. Isso significa garantir anonimato, pedir consentimento quando necessário e ter regras claras sobre quem pode acessar o quê”, explica Gabriela. Segundo ela, esse cuidado é essencial para que os modelos funcionem sem ferir direitos e com segurança jurídica. Mais do que garantir acordos financeiros, é preciso que o modelo gere valor real para o paciente. “Esse é o ponto central. O foco precisa estar nos resultados que importam na vida real: melhora dos sintomas, mais tempo de vida com qualidade, menos internações desnecessárias”, reforça. Por isso, Gabriela defende que os contratos devem ser desenhados com participação dos profissionais de saúde e, sempre que possível, com escuta ativa dos próprios pacientes. Avanços no Brasil e aprendizados globais Algumas experiências brasileiras já começam a servir de referência, especialmente em áreas como doenças raras, oncologia e dispositivos cardiovasculares. Gabriela destaca o papel do IBRAVS como articulador desse movimento: “O IBRAVS vem reunindo especialistas, operadoras, indústria e pesquisadores para debater e testar formas de colocar o valor no centro da atenção à saúde. É uma construção coletiva, passo a passo”.A especialista também observa que países como Inglaterra, Itália e Canadá já utilizam o risk sharing para lidar com terapias de alto custo, com base em evidências robustas e sistemas bem estruturados de monitoramento. “O Brasil pode aprender com essas experiências que não basta ter um bom contrato — é preciso ter estrutura para acompanhar resultados e corrigir rotas. E que o paciente precisa estar sempre no centro da conversa”, pontua.

Categorias Valor em Saúde Tags desperdício em saúde, IBRAVS, risk sharing, Saúde baseada em valor, saúde brasileira Deixe um comentário

Saúde baseada em valor ainda é exceção no Brasil, mas estudo aponta mudança de rota até 2030

15 de outubro de 2025 Por IBRAVS

Pesquisa inédita do IBRAVS e L.E.K. mostra que só 10% dos hospitais têm acordos realmente baseados em valor e projeta forte crescimento desses modelos até 2030. Novo estudo elaborado pela L.E.K. Consulting em parceria com o Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS) revela um retrato inédito da lenta adoção de modelos de Value-Based Health Care (VBHC) na saúde suplementar brasileira. Embora 60% dos executivos entrevistados reconheçam a relevância do conceito para a sustentabilidade do setor, somente cerca de 10% dos hospitais possuem algum acordo efetivamente baseado em valor, proporção semelhante à dos contratos de capitation + valor, nos quais o pagamento é per capita, com foco em prevenção e desfechos. O levantamento evidencia que 75% dos hospitais já utilizam modelos de preço fixo, principalmente pacotes, que concentram 13,2% de todos os gastos assistenciais em 2024. No entanto, apenas 7% aplicam o Diagnosis-Related Group (DRG) + valor, considerado um avanço por incluir desfechos do paciente. “Há uma confusão frequente entre pacote e VBHC. Empacotar não é necessariamente entregar valor; é somente transferir risco do pagador para o prestador”, explica César Abicalaffe, presidente do IBRAVS. Barreiras estruturais e culturais A pesquisa identifica entraves conhecidos, como falta de confiança entre operadoras e hospitais, carência de dados integrados e resistência cultural. Médicos veem o modelo como possível interferência na autonomia, enquanto operadoras temem investir em prevenção sem garantia de fidelização do beneficiário. “Ainda predomina a ideia de que um ganha e o outro perde, quando o verdadeiro beneficiário deveria ser o paciente”, afirma Abicalaffe. Outro ponto crítico é a fragmentação do cuidado. Um paciente pode fazer cirurgia em um hospital, reabilitação em outra clínica e acompanhamento em um terceiro local, sem integração de prontuários ou indicadores de desfecho. “Sem dados confiáveis e compartilhados, é impossível remunerar pelo que realmente importa: o resultado clínico”, reforça o presidente do IBRAVS. Mesmo diante dessas barreiras, 67% dos provedores esperam ampliar a participação de modelos baseados em performance ou população até 2025, e 78% projetam crescimento até 2030. Para Abicalaffe, o movimento é inevitável: “O fee-for-service está esgotado. O aumento do sinistro e a pressão por qualidade e sustentabilidade criam a tempestade perfeita para quebrar o ciclo do pagamento por volume”. O papel do regulador O estudo também ressalta a importância de incentivos regulatórios e governamentais para acelerar a transição, citando experiências internacionais como as Accountable Care Organizations (ACOs) nos Estados Unidos. No Brasil, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) avança com iniciativas como o Projeto Parto Adequado e o OncoRede, mas ainda limitadamente. “Precisamos de um marco regulatório que premie de fato o desfecho e a pertinência clínica”, defende Abicalaffe. Perspectiva Com base em dados de centenas de executivos e hospitais, o relatório conclui que a VBHC é amplamente reconhecida, mas pouco monetizada. O desafio é transformar a percepção em prática. “O futuro da saúde depende da capacidade de remunerar pelo que realmente importa: mais saúde com melhor custo. Esse é o norte que deve guiar o setor nos próximos anos”, conclui o presidente do IBRAVS. Os resultados da pesquisa foram apresentados em primeira mão durante o CLAVS’25, realizado nos dias 25 e 26 de agosto, no Rio de Janeiro. O congresso reuniu mais de 500 participantes — entre gestores, reguladores, acadêmicos e lideranças da saúde do Brasil, América Latina e Estados Unidos — e teve o Saúde Business como mídia oficial. RELATÓRIO COMPLETO

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CLAVS’25 marca o início de um novo plano de voo para a saúde baseada em valor na América Latina

15 de setembro de 202515 de setembro de 2025 Por IBRAVS
Um Novo Plano de Voo para a Saúde Baseada em Valor na América Latina

O evento reuniu líderes do setor e foi palco para o lançamento do Framework “Um Caminho Prático para Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseado em Valor”, criando uma agenda comum para a região. Inspirado na trajetória de Santos Dumont, o Pai da Aviação, o 2º Congresso Latino-Americano de Valor em Saúde (CLAVS’25) buscou cocriar um novo plano de voo para a saúde na América Latina, mostrando que a saúde, assim como a aviação, precisa de tecnologia, visão e humanidade. Realizado pelo Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS), nos dias 25 e 26 de agosto, o evento reuniu, no Rio de Janeiro, mais de 500 participantes, entre gestores, reguladores, acadêmicos e lideranças do setor da saúde do Brasil, América Latina e Estados Unidos.  Foram apresentadas experiências nacionais e internacionais, com debates sobre novos modelos de remuneração, práticas de mensuração de desfechos e estratégias de sustentabilidade para os sistemas de saúde. O encontro também celebrou a cooperação técnica entre a Agência de Saúde Suplementar (ANS), o IBRAVS, o Conselho Federal e os da 3ª e 4ª região de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. O objetivo é que essas entidades apoiem a Agência na operacionalização e ampliação do Programa Modelos de Remuneração Baseados em Valor para a saúde suplementar no Brasil. “No âmbito desse acordo, o IBRAVS lidera o desenvolvimento de dois dos cinco produtos previstos, a atualização do Guia para Implementação de Modelos de Remuneração Baseados em Valor; e o desenvolvimento de uma ferramenta de gestão de indicadores, disse César Abicalaffe, presidente do IBRAVS, na abertura do evento. Um novo plano de voo para a saúde A mensagem inicial foi de alinhamento: transformar o conhecimento acumulado em ações concretas e reprodutíveis para diferentes realidades. E para ajudar nessa missão, foi lançado o Framework IBRAVS: “Um Caminho Prático para Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseado em Valor”, uma ferramenta gratuita e acessível que organiza estratégias claras para implementar modelos de remuneração baseados em valor. O lançamento do framework simboliza um marco na consolidação da agenda de VBHC na região, oferecendo aos gestores e profissionais da saúde um guia estruturado para aplicar conceitos de valor em diferentes contextos, transformar práticas e gerar resultados mensuráveis para pacientes e sistemas de saúde. “É importante dizer que este documento não é um ponto final, mas um ponto de partida, e seguirá em evolução, com atualizações periódicas. Acreditamos firmemente que um sistema de saúde sustentável só será possível quando o valor entregue ao paciente estiver no centro das decisões”, ressaltou Abicalaffe. Na ocasião, o presidente do IBRAVS entregou a Maurício Nunes, diretor da Diretoria de Desenvolvimento Setorial (DIDES) da ANS, a primeira cópia do framework. “Maurício, sua determinação e resiliência foram essenciais para que este acordo de cooperação técnica se tornasse realidade. Tenha certeza de que está deixando um importante legado para a saúde de nosso país”, disse.  Lideranças nacionais internacionais na mesa de abertura A mesa de abertura do CLAVS´25 contou com a presença da Dra. Carla Soares, diretora-presidente interina da ANS, que reforçou a necessidade de mudança cultural para a transição rumo ao valor. “Não basta ampliar o acesso, precisamos garantir acesso com qualidade. Esse é o verdadeiro sentido de valor em saúde.” Também participaram Maurício Nunes (ANS), Claudio Stivelman, Superintendente da Superintendência de Serviços de Saúde, órgão do Ministério da Saúde da Argentina, e Cristian Mazza, Presidente de ALAMI – Asociación Latinoamericana de Sistemas Privados de Salud, compondo um painel que refletiu os desafios e as oportunidades da região latino-americana. Programa da ANS para os próximos cinco anos Raquel Lisboa, gerente de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade dos Prestadores de Serviços na ANS, apresentou o programa “ANS Modelos de Remuneração Baseados em Valor”, que traça a visão da agência reguladora para os próximos cinco anos, em parceria com as entidades técnicas IBRAVS, COFFITO e CREFITOS 3 e 4. Segundo Maurício Nunes, a proposta é fruto de um trabalho coletivo iniciado em 2009 e representa uma entrega concreta ao país, impactando diretamente os mais de 53 milhões de beneficiários da saúde suplementar. Conceitos e cases A programação do CLAVS´25 foi dividida em blocos temáticos, seguindo o modelo do framework.  O Bloco 1 construiu a base conceitual necessária para a compreensão e a aplicação prática do VBHC. Wilson Follador, conselheiro do IBRAVS e presidente da ISPOR Capítulo Brasil, apresentou os conceitos fundamentais de Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseados em Valor. Na sequência, Luiz Ribas, também conselheiro do IBRAVS, professor de Atenção Primária da UFPR e diretor médico na 2iM, apresentou o modelo de análise de decisão por multicritério (MCDA). Encerrando o bloco, Daniele Soutilha, pesquisadora do IBRAVS e doutoranda na Unigranrio, mostrou uma pesquisa e revisão de literatura sobre VBHC no Brasil e no mundo.  O Bloco 2 foi dedicado a explorar os cinco principais Modelos de Remuneração Baseados em Valor. A dinâmica combinou uma abertura conceitual de cada modelo com a apresentação de cases práticos de instituições brasileiras e internacionais. O primeiro modelo abordado foi o Fee for Service (FFS) + Valor, conduzido por César Abicalaffe, presidente do IBRAVS, e Fabio Nogi, conselheiro do instituto e head da Unimed Odonto. A sessão destacou como o tradicional pagamento por procedimento pode ganhar eficiência e foco em qualidade ao ser combinado com métricas de valor. Em seguida, foram apresentados cases que mostraram como o modelo pode ser adaptado e aplicado no Brasil. Jacqueline Estevan, Governance Officer da Uniodonto Campinas, ensinou como construir cases de valor em saúde na odontologia. João Robles, gestor de Atenção Primária da Unimed São José do Rio Preto e vencedor da 3ª edição do Prêmio Cases de Valor em Saúde IBRAVS, compartilhou a experiência da cooperativa na implantação de um sistema de bonificação baseado em valor, que gerou impacto real no engajamento médico e na melhoria da assistência. Já Erickson Blun, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da ANSM, expôs um exemplo de aplicação do VBHC em pronto-socorro, no qual uma Unimed conseguiu reduzir custos e, ao mesmo tempo, melhorar a experiência do paciente. … Ler mais

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