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Saúde baseada em valor

IBRAVS e Novartis firmam parceria para formar líderes em Saúde Baseada em Valor no Brasil

8 de abril de 2026 Por IBRAVS

Segunda temporada do Value Summit amplia capacitação em VBHC e reforça a importânciade decisões orientadas por valor para a sustentabilidade do sistema de saúde. O Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS) e a Novartis firmaram parceria para a realização da segunda temporada do Value Summit, programa estruturado de capacitação em Saúde Baseada em Valor (VBHC – Value-Based Health Care). A iniciativa tem comofoco a formação de lideranças capazes de operar estrategicamente em sistemas complexos e tomar decisões orientadas por valor, com impacto concreto na sustentabilidade e na qualidade do sistema de saúde brasileiro. A nova edição traz novidades, como a combinação de aulas ministradas por grandesespecialistas com dinâmicas ativas fundamentadas na andragogia — abordagem voltada à educação de adultos. São abordados temas como o cenário e os desafios do mercado de saúde, valor comocritério central de decisão, gestão populacional e estratificação de risco, linhas de cuidado integradas e organização por processos assistenciais, governança clínica baseada em valor, uso de PROMs e PREMs na avaliação de desfechos, gestão estratégica de custos, modelos de remuneração baseados em valor e alinhamento de incentivos. A nova etapa do programa aprofunda ainda temas como ciência da decisão e modelosmulticritério (MCDA), contratualização e gestão de risco, sustentabilidade econômica e escalabilidade, consolidando a proposta de transformar conceitos em decisões estruturadas e aplicáveis ao sistema de saúde. O programa também passa a contar com ações específicas para apoiar e estimular aaplicação prática do conhecimento adquirido, incluindo uma etapa final de apresentação das melhores propostas. Nessa fase, os participantes poderão submeter projetos de Valor em Saúde, e os finalistasapresentarão suas propostas em um pitch de 10 minutos para uma banca avaliadora,concorrendo a premiações e reconhecimentos institucionais. A proposta é transformar conhecimento conceitual em prática estruturada, estimulando a implementação de modelosassistenciais e de remuneração baseados em valor. Criado em 2018, o IBRAVS é uma instituição dedicada à gestão estratégica da saúde, com atuação voltada à estruturação de decisões complexas e à organização da sustentabilidadesistêmica do setor. O Instituto entende que valor em saúde não é um discurso aspiracional, mas o critério que deve orientar decisões clínicas, gerenciais e econômicas responsáveis, com impacto real sobre pessoas, organizações e o futuro do sistema. Para o IBRAVS, a transição do modelo tradicional para um modelo orientado por desfechos, coordenação e sustentabilidade exige mais do que conhecimento técnico. Exige método, pensamento sistêmico e capacidade de transformar princípios amplamente aceitos emmodelos concretos de gestão e implementação. “Nosso papel não é apenas qualificar o debate, mas apoiar líderes na estruturação dedecisões complexas. O IBRAVS atua para organizar a complexidade do sistema de saúde e transformar o valor em saúde em prática de gestão. Isso significa estruturar caminhos viáveis, alinhar incentivos, sustentar mudanças organizacionais e gerar impacto consistente em desfechos clínicos e sustentabilidade financeira”, afirma César Abicalaffe, presidente do IBRAVS. Para a Novartis, a iniciativa reforça seu compromisso com a inovação para além da molécula. “Estamos comprometidos em apoiar ativamente a criação de soluções sustentáveis para o sistema de saúde brasileiro, atuando em colaboração com os diferentes atores desse ecossistema. A parceria com o IBRAVS fortalece essa visão ao apoiar a formação de lideranças capazes de integrar inovação clínica, responsabilidade sistêmica esustentabilidade, garantindo que o avanço científico se traduza em valor real para ospacientes e para o sistema de saúde”, destaca Michel Conte, Diretor Executivo de Valor eAcesso, da Novartis. Ao estruturar um programa contínuo de formação e aplicação prática, o Value Summit busca contribuir para a consolidação de uma cultura de decisão orientada por valor no país. Em um sistema marcado por fragmentação, incentivos desalinhados e pressão crescente por sustentabilidade financeira, o desenvolvimento de lideranças capacitadas em VBHC é apontado como condição necessária para viabilizar mudanças estruturais de longo prazo.

Categorias Valor em Saúde Tags gestão em saúde, IBRAVS, modelos de remuneração baseados em valor, Novartis, Saúde baseada em valor, valor em saúde, Value Summit, vbhc Deixe um comentário

Na era do valor, certificações na saúde são o passaporte para a credibilidade

20 de janeiro de 202612 de dezembro de 2025 Por IBRAVS
Certificações

Entenda a importância das certificações na saúde e como elas elevam qualidade, confiança e resultados no sistema de saúde brasileiro. Em um momento de profundas transformações no sistema de saúde — com avanços digitais, novos modelos de cuidado e foco crescente em eficiência — a importância das certificações na saúde se torna cada vez mais evidente. Elas não são apenas diferenciais competitivos, mas também a base para garantir qualidade, governança e transparência em toda a jornada assistencial. Para o presidente do IBRAVS, César Abicalaffe, fortalecer a cultura de valor depende de competência técnica aliada a resultados reais para o paciente. “A saúde deveria buscar uma gestão que priorize explicitamente os desfechos em saúde importantes para os pacientes, em relação aos seus custos”, afirma. Certificações reconhecidas asseguram que profissionais e organizações dominem metodologias atualizadas, aplicáveis e orientadas por valor. Em um setor altamente regulado e que envolve vidas, a capacitação contínua e certificada é um ativo estratégico para: Profissionalização e credibilidade padronizar práticas baseadas em evidências; garantir segurança e qualidade assistencial; elevar o nível de governança e responsabilidade técnica; e promover transparência e ética profissional. Mais do que um selo, a certificação representa um compromisso real com a excelência e a melhoria contínua. Eficiência, resultados e sustentabilidade A agenda contemporânea da saúde é orientada para desfechos clínicos, experiência do paciente e custos totais da jornada de cuidado. Nesse contexto, a certificação ajuda instituições e profissionais a implementarem modelos mais eficientes, com foco em: eliminação de desperdícios; ganho de produtividade; processos claros e mensuráveis; e  cuidado centrado no paciente. Segundo Abicalaffe, a lógica é simples: “melhorar a remuneração do prestador com os recursos advindos da redução do desperdício e da melhoria da eficiência operacional”. Certificação é a base para essa maturidade de gestão. Diferenciação e confiança de mercado Em um cenário competitivo, ser certificado significa estar pronto para atuar em um ecossistema mais exigente, interoperável e orientado a valor. Operadoras, hospitais, laboratórios e empresas de tecnologia buscam parceiros e líderes que comprovem competências de forma estruturada. Para profissionais, a certificação fortalece autoridade técnica e empregabilidade. Para organizações, amplia confiança, reputação e preparo estratégico. Impacto sistêmico Certificar-se também contribui para o desenvolvimento de um sistema de saúde mais sustentável. Profissionais e organizações qualificados disseminam conhecimento, melhoram práticas e elevam o nível de toda a cadeia. O paciente — centro de qualquer modelo de cuidado — se beneficia de serviços mais precisos, humanizados e eficientes. “Certificações na saúde são mais do que um selo: representam compromisso com qualidade, ética, eficiência e foco no paciente. Elas são, acima de tudo, um passo estratégico para construir um sistema de saúde orientado por valor”, finaliza Abicalaffe.

Categorias Valor em Saúde Tags capacitação profissional em saúde, certificações em saúde, governança em saúde, qualidade assistencial, Saúde baseada em valor Deixe um comentário

Risk sharing: um caminho para mais valor e menos desperdício na saúde brasileira

22 de outubro de 2025 Por IBRAVS
gabriela-tannus

Modelo de compartilhamento de risco ganha espaço no Brasil como estratégia para tornar o sistema de saúde mais justo, sustentável e centrado no paciente. “As invenções são, sobretudo, o resultado de um trabalho teimoso”, disse Santos Dumont — e a frase do patrono da aviação brasileira nunca foi tão atual para quem trabalha com inovação em saúde. Em tempos de tratamentos de alto custo, pressão por resultados e escassez de recursos, o setor vem buscando soluções ousadas e persistentes para viabilizar um cuidado mais inteligente e efetivo. É nesse cenário que o modelo de risk sharing, ou compartilhamento de risco + valor, vem ganhando força no país. “O risk sharing é uma forma de parceria entre quem paga pelo tratamento — como planos de saúde ou o SUS — e quem oferece a tecnologia, como laboratórios ou hospitais. Se um medicamento ou terapia não trouxer o resultado prometido, a empresa assume parte do prejuízo”, explica Gabriela Tannus, economista, especialista em acesso e inovação em saúde, diretora do IBRAVS – Instituto Brasileiro de Valor em Saúde e CEO do GTannus Group. Segundo ela, a compensação pode vir de diversas formas: devolução de valores, nova rodada de tratamento ou outros acordos previamente definidos. O objetivo é simples: o sistema só deve pagar pelo que, de fato, funciona. Esse tipo de contrato é uma das estratégias dentro do modelo mais amplo de saúde baseada em valor, que busca priorizar a qualidade dos desfechos em vez do volume de procedimentos. “O que diferencia o risk sharing é justamente essa aposta conjunta no resultado: se der certo, todos ganham. Se não, os riscos também são divididos”, afirma Gabriela. Mais do que uma inovação contratual, o modelo é uma ferramenta poderosa para garantir a sustentabilidade do sistema de saúde. “Quando a gente paga apenas por aquilo que realmente funciona, evita desperdícios e garante um uso mais inteligente dos recursos — que são sempre limitados. Isso é especialmente importante em tratamentos caros, como os de câncer ou doenças raras”, diz. Os números reforçam a urgência dessa mudança. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 20% a 40% dos gastos em saúde no mundo são desperdiçados por ineficiência, uso inadequado de tecnologias, tratamentos ineficazes e má coordenação dos cuidados. No Brasil, um estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) estima que R$ 28 bilhões por ano são desperdiçados na saúde suplementar, especialmente por fraudes, exames desnecessários e terapias sem efetividade comprovada. Já no setor público, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que 30% dos recursos podem ser desperdiçados por má gestão, falta de controle e políticas ineficientes. Aplicável ao SUS e à saúde suplementar Segundo Gabriela, o modelo pode ser implementado tanto no setor público quanto no privado, mas os contextos são bem distintos. No SUS, há barreiras regulatórias, como exigências legais e dificuldade de monitorar os resultados em tempo real. Já na saúde suplementar, há mais flexibilidade para negociação, mas também mais fragmentação entre operadoras, prestadores e fornecedores. “Cada um tem seu desafio, mas o modelo pode funcionar nos dois lados”, ressalta. Apesar do potencial, a adoção em larga escala ainda esbarra em entraves estruturais e jurídicos. “Faltam dados organizados, é difícil acompanhar os resultados dos pacientes ao longo do tempo e precisamos de contratos mais claros e seguros. Mas já temos bons sinais de que é possível avançar”, afirma. Para ela, o Brasil está no início dessa jornada e precisa investir em sistemas de informação, confiança entre as partes e um ambiente regulatório que incentive, e não impeça, a inovação. LGPD e foco no paciente Outro ponto de atenção é a proteção de dados clínicos, especialmente à luz da LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados. “Todo modelo de risk sharing precisa cuidar muito bem dos dados dos pacientes. Isso significa garantir anonimato, pedir consentimento quando necessário e ter regras claras sobre quem pode acessar o quê”, explica Gabriela. Segundo ela, esse cuidado é essencial para que os modelos funcionem sem ferir direitos e com segurança jurídica. Mais do que garantir acordos financeiros, é preciso que o modelo gere valor real para o paciente. “Esse é o ponto central. O foco precisa estar nos resultados que importam na vida real: melhora dos sintomas, mais tempo de vida com qualidade, menos internações desnecessárias”, reforça. Por isso, Gabriela defende que os contratos devem ser desenhados com participação dos profissionais de saúde e, sempre que possível, com escuta ativa dos próprios pacientes. Avanços no Brasil e aprendizados globais Algumas experiências brasileiras já começam a servir de referência, especialmente em áreas como doenças raras, oncologia e dispositivos cardiovasculares. Gabriela destaca o papel do IBRAVS como articulador desse movimento: “O IBRAVS vem reunindo especialistas, operadoras, indústria e pesquisadores para debater e testar formas de colocar o valor no centro da atenção à saúde. É uma construção coletiva, passo a passo”.A especialista também observa que países como Inglaterra, Itália e Canadá já utilizam o risk sharing para lidar com terapias de alto custo, com base em evidências robustas e sistemas bem estruturados de monitoramento. “O Brasil pode aprender com essas experiências que não basta ter um bom contrato — é preciso ter estrutura para acompanhar resultados e corrigir rotas. E que o paciente precisa estar sempre no centro da conversa”, pontua.

Categorias Valor em Saúde Tags desperdício em saúde, IBRAVS, risk sharing, Saúde baseada em valor, saúde brasileira Deixe um comentário

Saúde baseada em valor ainda é exceção no Brasil, mas estudo aponta mudança de rota até 2030

15 de outubro de 2025 Por IBRAVS

Pesquisa inédita do IBRAVS e L.E.K. mostra que só 10% dos hospitais têm acordos realmente baseados em valor e projeta forte crescimento desses modelos até 2030. Novo estudo elaborado pela L.E.K. Consulting em parceria com o Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS) revela um retrato inédito da lenta adoção de modelos de Value-Based Health Care (VBHC) na saúde suplementar brasileira. Embora 60% dos executivos entrevistados reconheçam a relevância do conceito para a sustentabilidade do setor, somente cerca de 10% dos hospitais possuem algum acordo efetivamente baseado em valor, proporção semelhante à dos contratos de capitation + valor, nos quais o pagamento é per capita, com foco em prevenção e desfechos. O levantamento evidencia que 75% dos hospitais já utilizam modelos de preço fixo, principalmente pacotes, que concentram 13,2% de todos os gastos assistenciais em 2024. No entanto, apenas 7% aplicam o Diagnosis-Related Group (DRG) + valor, considerado um avanço por incluir desfechos do paciente. “Há uma confusão frequente entre pacote e VBHC. Empacotar não é necessariamente entregar valor; é somente transferir risco do pagador para o prestador”, explica César Abicalaffe, presidente do IBRAVS. Barreiras estruturais e culturais A pesquisa identifica entraves conhecidos, como falta de confiança entre operadoras e hospitais, carência de dados integrados e resistência cultural. Médicos veem o modelo como possível interferência na autonomia, enquanto operadoras temem investir em prevenção sem garantia de fidelização do beneficiário. “Ainda predomina a ideia de que um ganha e o outro perde, quando o verdadeiro beneficiário deveria ser o paciente”, afirma Abicalaffe. Outro ponto crítico é a fragmentação do cuidado. Um paciente pode fazer cirurgia em um hospital, reabilitação em outra clínica e acompanhamento em um terceiro local, sem integração de prontuários ou indicadores de desfecho. “Sem dados confiáveis e compartilhados, é impossível remunerar pelo que realmente importa: o resultado clínico”, reforça o presidente do IBRAVS. Mesmo diante dessas barreiras, 67% dos provedores esperam ampliar a participação de modelos baseados em performance ou população até 2025, e 78% projetam crescimento até 2030. Para Abicalaffe, o movimento é inevitável: “O fee-for-service está esgotado. O aumento do sinistro e a pressão por qualidade e sustentabilidade criam a tempestade perfeita para quebrar o ciclo do pagamento por volume”. O papel do regulador O estudo também ressalta a importância de incentivos regulatórios e governamentais para acelerar a transição, citando experiências internacionais como as Accountable Care Organizations (ACOs) nos Estados Unidos. No Brasil, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) avança com iniciativas como o Projeto Parto Adequado e o OncoRede, mas ainda limitadamente. “Precisamos de um marco regulatório que premie de fato o desfecho e a pertinência clínica”, defende Abicalaffe. Perspectiva Com base em dados de centenas de executivos e hospitais, o relatório conclui que a VBHC é amplamente reconhecida, mas pouco monetizada. O desafio é transformar a percepção em prática. “O futuro da saúde depende da capacidade de remunerar pelo que realmente importa: mais saúde com melhor custo. Esse é o norte que deve guiar o setor nos próximos anos”, conclui o presidente do IBRAVS. Os resultados da pesquisa foram apresentados em primeira mão durante o CLAVS’25, realizado nos dias 25 e 26 de agosto, no Rio de Janeiro. O congresso reuniu mais de 500 participantes — entre gestores, reguladores, acadêmicos e lideranças da saúde do Brasil, América Latina e Estados Unidos — e teve o Saúde Business como mídia oficial. RELATÓRIO COMPLETO

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CLAVS’25 marca o início de um novo plano de voo para a saúde baseada em valor na América Latina

15 de setembro de 202515 de setembro de 2025 Por IBRAVS
Um Novo Plano de Voo para a Saúde Baseada em Valor na América Latina

O evento reuniu líderes do setor e foi palco para o lançamento do Framework “Um Caminho Prático para Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseado em Valor”, criando uma agenda comum para a região. Inspirado na trajetória de Santos Dumont, o Pai da Aviação, o 2º Congresso Latino-Americano de Valor em Saúde (CLAVS’25) buscou cocriar um novo plano de voo para a saúde na América Latina, mostrando que a saúde, assim como a aviação, precisa de tecnologia, visão e humanidade. Realizado pelo Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS), nos dias 25 e 26 de agosto, o evento reuniu, no Rio de Janeiro, mais de 500 participantes, entre gestores, reguladores, acadêmicos e lideranças do setor da saúde do Brasil, América Latina e Estados Unidos.  Foram apresentadas experiências nacionais e internacionais, com debates sobre novos modelos de remuneração, práticas de mensuração de desfechos e estratégias de sustentabilidade para os sistemas de saúde. O encontro também celebrou a cooperação técnica entre a Agência de Saúde Suplementar (ANS), o IBRAVS, o Conselho Federal e os da 3ª e 4ª região de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. O objetivo é que essas entidades apoiem a Agência na operacionalização e ampliação do Programa Modelos de Remuneração Baseados em Valor para a saúde suplementar no Brasil. “No âmbito desse acordo, o IBRAVS lidera o desenvolvimento de dois dos cinco produtos previstos, a atualização do Guia para Implementação de Modelos de Remuneração Baseados em Valor; e o desenvolvimento de uma ferramenta de gestão de indicadores, disse César Abicalaffe, presidente do IBRAVS, na abertura do evento. Um novo plano de voo para a saúde A mensagem inicial foi de alinhamento: transformar o conhecimento acumulado em ações concretas e reprodutíveis para diferentes realidades. E para ajudar nessa missão, foi lançado o Framework IBRAVS: “Um Caminho Prático para Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseado em Valor”, uma ferramenta gratuita e acessível que organiza estratégias claras para implementar modelos de remuneração baseados em valor. O lançamento do framework simboliza um marco na consolidação da agenda de VBHC na região, oferecendo aos gestores e profissionais da saúde um guia estruturado para aplicar conceitos de valor em diferentes contextos, transformar práticas e gerar resultados mensuráveis para pacientes e sistemas de saúde. “É importante dizer que este documento não é um ponto final, mas um ponto de partida, e seguirá em evolução, com atualizações periódicas. Acreditamos firmemente que um sistema de saúde sustentável só será possível quando o valor entregue ao paciente estiver no centro das decisões”, ressaltou Abicalaffe. Na ocasião, o presidente do IBRAVS entregou a Maurício Nunes, diretor da Diretoria de Desenvolvimento Setorial (DIDES) da ANS, a primeira cópia do framework. “Maurício, sua determinação e resiliência foram essenciais para que este acordo de cooperação técnica se tornasse realidade. Tenha certeza de que está deixando um importante legado para a saúde de nosso país”, disse.  Lideranças nacionais internacionais na mesa de abertura A mesa de abertura do CLAVS´25 contou com a presença da Dra. Carla Soares, diretora-presidente interina da ANS, que reforçou a necessidade de mudança cultural para a transição rumo ao valor. “Não basta ampliar o acesso, precisamos garantir acesso com qualidade. Esse é o verdadeiro sentido de valor em saúde.” Também participaram Maurício Nunes (ANS), Claudio Stivelman, Superintendente da Superintendência de Serviços de Saúde, órgão do Ministério da Saúde da Argentina, e Cristian Mazza, Presidente de ALAMI – Asociación Latinoamericana de Sistemas Privados de Salud, compondo um painel que refletiu os desafios e as oportunidades da região latino-americana. Programa da ANS para os próximos cinco anos Raquel Lisboa, gerente de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade dos Prestadores de Serviços na ANS, apresentou o programa “ANS Modelos de Remuneração Baseados em Valor”, que traça a visão da agência reguladora para os próximos cinco anos, em parceria com as entidades técnicas IBRAVS, COFFITO e CREFITOS 3 e 4. Segundo Maurício Nunes, a proposta é fruto de um trabalho coletivo iniciado em 2009 e representa uma entrega concreta ao país, impactando diretamente os mais de 53 milhões de beneficiários da saúde suplementar. Conceitos e cases A programação do CLAVS´25 foi dividida em blocos temáticos, seguindo o modelo do framework.  O Bloco 1 construiu a base conceitual necessária para a compreensão e a aplicação prática do VBHC. Wilson Follador, conselheiro do IBRAVS e presidente da ISPOR Capítulo Brasil, apresentou os conceitos fundamentais de Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseados em Valor. Na sequência, Luiz Ribas, também conselheiro do IBRAVS, professor de Atenção Primária da UFPR e diretor médico na 2iM, apresentou o modelo de análise de decisão por multicritério (MCDA). Encerrando o bloco, Daniele Soutilha, pesquisadora do IBRAVS e doutoranda na Unigranrio, mostrou uma pesquisa e revisão de literatura sobre VBHC no Brasil e no mundo.  O Bloco 2 foi dedicado a explorar os cinco principais Modelos de Remuneração Baseados em Valor. A dinâmica combinou uma abertura conceitual de cada modelo com a apresentação de cases práticos de instituições brasileiras e internacionais. O primeiro modelo abordado foi o Fee for Service (FFS) + Valor, conduzido por César Abicalaffe, presidente do IBRAVS, e Fabio Nogi, conselheiro do instituto e head da Unimed Odonto. A sessão destacou como o tradicional pagamento por procedimento pode ganhar eficiência e foco em qualidade ao ser combinado com métricas de valor. Em seguida, foram apresentados cases que mostraram como o modelo pode ser adaptado e aplicado no Brasil. Jacqueline Estevan, Governance Officer da Uniodonto Campinas, ensinou como construir cases de valor em saúde na odontologia. João Robles, gestor de Atenção Primária da Unimed São José do Rio Preto e vencedor da 3ª edição do Prêmio Cases de Valor em Saúde IBRAVS, compartilhou a experiência da cooperativa na implantação de um sistema de bonificação baseado em valor, que gerou impacto real no engajamento médico e na melhoria da assistência. Já Erickson Blun, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da ANSM, expôs um exemplo de aplicação do VBHC em pronto-socorro, no qual uma Unimed conseguiu reduzir custos e, ao mesmo tempo, melhorar a experiência do paciente. … Ler mais

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Descentralização do cuidado só gera valor com foco em desfechos, coordenação e uso inteligente de recursos, afirma IBRAVS

9 de agosto de 2025 Por IBRAVS
descentralização do cuidado

Relatório internacional destaca os impactos positivos de levar o cuidado para mais perto do paciente — mas, segundo o IBRAVS, descentralizar não basta: é preciso integrar dados, medir resultados e alinhar incentivos para gerar valor real em saúde. Um novo relatório da consultoria internacional Frontier View analisa os impactos da descentralização do cuidado em países como Reino Unido, Singapura, Holanda e Bélgica. A pesquisa demonstra que, ao reorganizar os serviços de saúde para que o atendimento ocorra fora do ambiente hospitalar — sempre que clinicamente possível — os sistemas conseguiram melhorar o acesso, reduzir internações e otimizar recursos. Para o Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS), as experiências são promissoras, mas os ganhos reais só acontecem quando essas estratégias são acompanhadas por coordenação, dados e foco em desfechos. O conceito de descentralização do cuidado envolve deslocar parte do cuidado para unidades básicas de saúde, ambulatórios ou até a casa do paciente. A proposta busca aliviar a pressão sobre os hospitais, ampliar o acesso, promover a continuidade do cuidado e oferecer uma experiência mais personalizada e humana. Resultados internacionais com a descentralização do cuidado Apresentado em julho, em Brasília, o relatório reúne dados concretos de quatro países. O Reino Unido registrou 800 mil internações a menos em 2022, em comparação com 2019, ao expandir o cuidado fora dos hospitais. Singapura poupou 7 mil dias de internação com o programa MIC@Home. A Holanda economiza 2 milhões de euros anualmente com o uso de cuidados remotos, enquanto a Bélgica reduziu em 15% as readmissões hospitalares de pacientes com insuficiência cardíaca. Descentralização do cuidado e a saúde baseada em valor (VBHC) Para o presidente do IBRAVS, César Abicalaffe, essas experiências evidenciam caminhos possíveis, mas não devem ser confundidas com uma adoção automática da saúde baseada em valor. “Descentralizar, por si só, não é sinônimo de gerar valor. Pode até criar novas ineficiências se for feita sem coordenação, sem mensuração de resultados e sem foco real naquilo que importa para o paciente”, afirma. Segundo ele, a descentralização só se alinha aos princípios do VBHC quando está a serviço de uma entrega de valor mensurável: quando contribui para melhorar os desfechos clínicos, otimizar a experiência do cuidado e utilizar recursos de forma sustentável. “O que define se há valor não é o local onde o cuidado acontece, e sim o impacto desse cuidado na vida das pessoas — se elas estão melhores, se evitamos complicações, se o sistema aprendeu com cada atendimento.” O papel do Brasil na descentralização com foco em valor O IBRAVS defende que o Brasil tem condições de avançar com uma agenda estruturada nesse campo, aproveitando sua tradição em atenção primária — como a Estratégia Saúde da Família — e conectando-a a uma lógica clara de accountability por desfechos. “Precisamos transformar isso em estratégia de saúde baseada em valor, com sistemas de informação integrados, avaliação contínua e modelos de remuneração que premiem resultados, e não apenas a produção de serviços”, afirma Abicalaffe. Desafios para transformar descentralização em valor real No país, diversas iniciativas locais já indicam movimentos em direção à descentralização, mas ainda de forma fragmentada e sem diretrizes nacionais. O desafio, segundo o IBRAVS, é transformar essas experiências em política pública estruturada, com metas claras e alinhamento entre os diferentes níveis do sistema. “Descentralizar não é um fim em si mesmo. Só se torna uma estratégia transformadora quando está a serviço do valor — para quem mais importa: o paciente.”

Categorias Valor em Saúde Tags atenção primária, coordenação do cuidado, descentralização do cuidado, desfechos em saúde, eficiência em saúde, Saúde baseada em valor, sistemas de saúde, vbhc Deixe um comentário

Por que a odontologia suplementar ainda resiste à saúde baseada em valor?

16 de junho de 2025 Por IBRAVS
Fabio Nogi

Fabio Nogi aponta os entraves culturais, estruturais e tecnológicos que freiam a adoção do VBHC na odontologia suplementar — e alerta para os riscos de manter o modelo atual. A promessa de uma odontologia mais resolutiva e centrada no que realmente importa para o paciente avança lentamente no setor suplementar. Conceitos como saúde baseada em valor (VBHC), desfechos clínicos e medidas autorrelatadas ganham força em outras áreas, mas na prática odontológica ainda prevalece um modelo fragmentado, focado no volume de procedimentos e com baixa integração entre os atores. Com mais de 20 anos de atuação na saúde suplementar, Fabio Massaharu Nogi, Superintendente de Inovação e Odontologia na Seguros Unimed, analisa os entraves que travam a transformação do setor — e o que está em jogo se ela não acontecer. O modelo tradicional e o desalinhamento cultural Segundo Nogi — que também é diretor da SINOG, conselheiro consultivo do IBRAVS, membro do conselho da Yuni Digital e professor de MBA e pós-graduação —, a odontologia suplementar está somente começando sua jornada rumo ao VBHC. O modelo vigente ainda recompensa volume, não valor. Para que ocorra uma mudança significativa, é preciso repensar contratos e formas de remuneração, fortalecer a articulação entre operadoras, prestadores e pacientes, e investir em tecnologia capaz de gerar e analisar dados de desfecho com consistência. “Mais do que ferramentas, falta alinhamento estratégico e cultural. É necessário engajar todos os atores em um novo propósito, que vá além da entrega de procedimentos e coloque o bem-estar e a experiência do paciente no centro”, afirma. Medir o que importa: o papel dos desfechos e da experiência No campo dos indicadores, o AOHSS (Adult Oral Health Standard Set) reúne métricas clínicas e autorrelatadas (PROMs), abrangendo dor, estética e impacto psicossocial. Também se destacam instrumentos como OHIP e OIDP, voltados à qualidade de vida relacionada à saúde bucal. “Esses indicadores captam o impacto real das condições bucais na vida das pessoas, indo além do aspecto clínico e incluindo dimensões emocionais e sociais”, diz Nogi. No entanto, ele reconhece que o uso ainda é incipiente no Brasil. Para que ganhem tração, é preciso alinhar incentivos e mostrar, na prática, os benefícios tanto para profissionais quanto para pacientes. “Sem perceber valor, nenhum dos dois irá se engajar.” Além disso, as ferramentas precisam ser adaptadas ao contexto brasileiro — com linguagem acessível, aplicabilidade local e integração ao fluxo assistencial. Da coleta de dados à ação: desafios para dar voz ao paciente Coletar PROMs e PREMs não se resume a aplicar questionários. Para Nogi, trata-se de incorporar a perspectiva do paciente no processo de cuidado, o que exige infraestrutura tecnológica, capacidade analítica e uma mudança de mentalidade. Esse amadurecimento é essencial num cenário cada vez mais moldado por dados e inteligência artificial. “Sem ouvir o paciente, os profissionais perderão protagonismo frente à tecnologia.” Transformar essa escuta em ações concretas implica revisar processos, redimensionar o que se entende por sucesso clínico e redesenhar modelos assistenciais com foco na individualização. Confiança: o cimento dos modelos baseados em valor A transição para o VBHC depende da construção de confiança entre os atores do sistema, sustentada por quatro pilares: Definição conjunta de metas e indicadores, promovendo alinhamento e corresponsabilidade; Modelos de ganho compartilhado, que incentivem o foco nos desfechos; Relações colaborativas entre operadoras e prestadores, substituindo o viés fiscalizatório por práticas como revisão conjunta de casos; Cultura de experimentação, com pilotos e ciclos curtos de melhoria. “Sem espaço para testar e ajustar, corremos o risco de paralisar diante da complexidade da mudança”, afirma Nogi. Qualidade percebida: o primeiro passo do Triple Aim Entre os três objetivos do Triple Aim — melhorar o cuidado individual, a saúde populacional e reduzir custos —, Nogi defende que o primeiro deve ser prioridade na odontologia suplementar. Só a entrega de cuidado percebido como valioso pelo paciente cria engajamento e estabelece a base para metas populacionais e ganhos de eficiência. Ignorar essa etapa compromete a sustentabilidade de qualquer transformação. Personalização em escala: o futuro possível Historicamente, a padronização guiou os modelos de cuidado na odontologia suplementar. Com o avanço da tecnologia, torna-se possível personalizar — em escala — o cuidado, a partir de perfis clínicos específicos e interações com outras condições de saúde. “Pacientes com diferentes graus de periodontite podem ter planos de cuidado distintos, com metas específicas e conexões com doenças sistêmicas, como diabetes”, exemplifica Nogi. Essa diferenciação deve refletir também na remuneração: “o ideal é que a complexidade e os resultados orientem o pagamento.” Mais do que repetir protocolos, o desafio será criar fluxos assistenciais dinâmicos e responsivos, que conciliem integridade clínica e individualização. Educar o paciente é parte da transformação Muitos pacientes ainda associam valor a acesso rápido e cobertura ampla. Para que o modelo de valor avance, será preciso educar o público sobre o que realmente significa cuidado de qualidade: menos procedimentos desnecessários, mais prevenção, melhores desfechos e bem-estar no longo prazo. Esse processo exige uma comunicação clara, contínua e ancorada em exemplos práticos. O paciente precisa ser parceiro ativo — não apenas receptor de serviços. Valor exige cultura, colaboração e governança O maior obstáculo à disseminação do VBHC é cultural. “Ainda há receio de romper com modelos antigos, mesmo com tecnologias e frameworks já disponíveis”, afirma Nogi. Romper essa inércia exige uma agenda coletiva com participação de operadoras, prestadores, entidades de classe e órgãos reguladores, como a ANS. Além disso, é preciso evitar o erro de tratar o VBHC apenas como um novo modelo de pagamento. Trata-se de uma transformação sistêmica, que atravessa a organização do cuidado, o papel do paciente e a governança dos sistemas. “Valor não é custo. É o que de fato importa para o paciente”, conclui.

Categorias Valor em Saúde Tags desfechos clínicos, experiência do paciente, inovação em saúde bucal, odontologia suplementar, PREMs, PROMs, remuneração por valor, Saúde baseada em valor, transformação cultural, vbhc Deixe um comentário

Tecnologia e Informação: a espinha dorsal da Saúde Baseada em Valor

22 de maio de 2025 Por IBRAVS
Sistemas de Informação em Saúde

A implementação da Saúde Baseada em Valor (VBHC) exige mais do que boas intenções e mudanças nos modelos de pagamento. Ela depende fundamentalmente de sistemas de informação robustos, integrados e centrados no paciente. São eles que tornam possível conectar equipes de cuidado, mensurar desfechos, monitorar custos e promover a coordenação necessária para que o cuidado realmente gere valor. O papel dos sistemas de informação em um modelo baseado em valor Os sistemas de informação são o alicerce que sustenta a aplicação prática dos pilares da VBHC. Eles fornecem os dados necessários para: Integrar serviços e equipes, especialmente em Unidades de Prática Integrada (IPUs); Medir desfechos clínicos (CROMs), desfechos reportados pelo paciente (PROMs), custos e uso de recursos; Viabilizar modelos inovadores de pagamento baseados em valor. No entanto, na maioria dos países – inclusive no Brasil – os sistemas de informação em saúde ainda são fragmentados. Dados sobre tratamentos, diagnósticos, exames, medicamentos, custos e satisfação do paciente estão espalhados por diferentes plataformas, o que dificulta uma visão holística da jornada do paciente e prejudica a coordenação do cuidado. Características ideais de um sistema de TI orientado ao valor Para apoiar uma jornada baseada em valor, um sistema de informação em saúde precisa ter algumas características fundamentais: Centralidade no paciente: os dados devem acompanhar o paciente ao longo de sua jornada, independentemente da instituição ou profissional envolvido. Acesso compartilhado e seguro: todos os profissionais envolvidos no cuidado devem poder acessar, de forma autorizada, o prontuário completo do paciente – com histórico clínico, diagnósticos, exames, intervenções e medicamentos. Padronização: uso de nomenclaturas comuns e classificações padronizadas para doenças, exames e procedimentos facilita a comunicação, análise e comparação entre diferentes instituições. Templates clínicos e apoio à decisão: modelos específicos para diferentes condições clínicas, construídos com participação de profissionais de saúde, facilitam a coleta padronizada e o uso inteligente dos dados. Arquitetura aberta e interoperável: o sistema deve permitir extração de dados, geração de dashboards e integração com outras plataformas, respeitando os padrões de segurança e privacidade. Exemplos internacionais que inspiram Diversos países já iniciaram a construção de sistemas de informação orientados ao valor: NHS Wales (Reino Unido) implementou um programa nacional de VBHC com foco em interoperabilidade e coleta de PROMs via uma plataforma nacional de dados. CMS (EUA) promoveu incentivos financeiros para a adoção de prontuários eletrônicos interoperáveis (EHRs) e estabeleceu organizações regionais de troca de informações (HIEs). NSW (Austrália) criou a plataforma HOPE para integrar PROMs aos EHRs, conectando-os a um portal de dados do governo. MomCare (Quênia e Tanzânia) usa uma solução digital integrada para cuidados em saúde materna, conectando pacientes, prestadores e pagadores. A plataforma coleta dados clínicos e socioeconômicos, usa SMS para engajamento e permite visualização de resultados em dashboards acessíveis aos profissionais. O Brasil está preparado? Apesar dos avanços com o Meu SUS Digital (Antigo Conecte SUS) e outras iniciativas locais, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais em interoperabilidade, padronização de dados e acesso a informações compartilhadas. No contexto da VBHC, é urgente: Promover investimentos em infraestrutura digital para saúde; Estimular o uso de prontuários eletrônicos interoperáveis, com foco no paciente e não apenas na instituição; Estabelecer padrões nacionais de dados clínicos e PROMs; Criar incentivos para que hospitais, clínicas e operadoras compartilhem dados de forma segura e coordenada. Conclusão: dados como ativos para a transformação Sistemas de informação são mais do que ferramentas operacionais – são ativos estratégicos para viabilizar a transformação da saúde baseada em valor. A integração de dados, a centralidade no paciente e a interoperabilidade são pré-requisitos para medir o que importa, melhorar a experiência do paciente e aprimorar os resultados com sustentabilidade. No Brasil, o avanço para uma saúde baseada em valor depende de um projeto nacional de arquitetura de dados em saúde. Sem isso, VBHC será apenas uma ideia poderosa, mas desafiadora na prática.

Categorias Valor em Saúde Tags Dados em saúde, Informação centrada no paciente, Interoperabilidade em Saúde, PROMs e CROMs, Prontuário Eletrônico, Saúde baseada em valor, Sistemas de Informação em Saúde, Tecnologia em saúde, Transformação digital na saúde, Value-Based Health Care Deixe um comentário

Por que a saúde baseada em valor está ganhando tanta força no mundo?

13 de maio de 2025 Por IBRAVS
saúde baseada em valor

A maneira como enxergamos a saúde dentro do sistema determina as decisões que tomamos em relação a ela. Se a encaramos apenas como um custo, a tendência natural é buscar maneiras de reduzi-lo. Se a consideramos um item do orçamento, as políticas adotadas serão de curto prazo, limitadas ao período de vigência daquele orçamento. Esse é o caso típico das políticas de saúde de governos, que frequentemente não são políticas de Estado, mas de gestão temporária. Produção em massa ou resultados reais para o paciente? Por outro lado, se enxergarmos a saúde como um mecanismo para maximizar receita, o resultado pode ser um aumento no volume e na complexidade dos atendimentos — nem sempre com impacto positivo nos desfechos clínicos. O que o setor deveria buscar é um modelo de gestão que priorize os resultados que realmente importam para o paciente, sempre em relação ao custo em saúde necessário para produzi-los. Essa é a essência da saúde baseada em valor (VBHC – Value-Based Health Care). Valor: a equação entre desfechos e custos A relação entre os desfechos obtidos para o paciente e os recursos necessários para alcançá-los é o eixo central desse conceito. Como dizia Alan Maynard, professor da Universidade de York: focar apenas nos resultados sem considerar os custos é como ter uma carroça sem cavalos para puxá-la. A eficiência na alocação de recursos precisa andar lado a lado com a qualidade assistencial. Pesquisas e experiências internacionais impulsionam o modelo O consórcio entre o Boston Consulting Group e o Instituto Karolinska consolidou essa visão, demonstrando que um sistema de saúde baseado em valor busca entregar os melhores desfechos clínicos possíveis com o menor custo em saúde. Estudos como os do ICHOM (International Consortium for Health Outcomes Measurement) mostram que a adoção desse modelo pode transformar a maneira como os serviços de saúde são prestados. Por que agora? Variação na qualidade e explosão de custos Mas o que fez com que esse conceito ganhasse tanta força globalmente? A enorme variação na qualidade dos serviços de saúde O crescimento acelerado dos custos no setor Pesquisas indicam que, mesmo em países desenvolvidos, a variabilidade nos desfechos clínicos é alarmante. Na Alemanha, por exemplo, a taxa de reoperação em cirurgias de quadril variou 18 vezes entre hospitais. Essa disparidade levantou questionamentos importantes: como é possível haver tamanha diferença na entrega de cuidados dentro de um mesmo país? O que realmente importa para o paciente Comparando os resultados da Alemanha e da Suécia com os da Martini Clinic — referência europeia em cirurgia de próstata — os dados mostraram taxas de sobrevida semelhantes. No entanto, ao analisar desfechos que realmente importam para o paciente, como incontinência urinária e disfunção erétil, as diferenças ficaram evidentes. Isso reforça um ponto essencial: medir qualidade em saúde exige foco no que realmente impacta a vida do paciente. A insustentabilidade do atual ritmo de gastos O segundo fator que impulsionou a saúde baseada em valor foi o descolamento crescente entre os custos em saúde e a geração de riqueza dos países. Em diversas nações, os gastos com saúde aumentam em ritmo muito superior ao crescimento do PIB. Esse cenário se repete em sistemas públicos, como o inglês, e privados, como o dos EUA. No Brasil, a inflação médica cresce acima do IPCA, pressionando operadoras, hospitais e pacientes. Quatro pilares para viabilizar a mudança Para viabilizar a transição para um sistema mais sustentável, algumas ações estratégicas são fundamentais. O framework do Boston Consulting Group destaca quatro pilares: Interoperabilidade – informações do paciente acessíveis e integradas. Benchmarks e analytics – comparar práticas assistenciais e identificar as mais eficazes. Modelos de remuneração por valor – recompensar prestadores com base nos resultados entregues. Mudanças organizacionais – criar incentivos para equipes focadas em entregar valor. Um movimento coletivo por eficiência e impacto Essa transição exige esforço, mas responde a uma necessidade real: garantir que cada recurso investido gere o maior impacto positivo possível nos desfechos clínicos dos pacientes, com o melhor custo-benefício possível. A implementação da saúde baseada em valor exige colaboração entre todos os agentes da cadeia: hospitais, operadoras, profissionais de saúde, indústria farmacêutica e empresas de tecnologia. Apenas com esforços coordenados será possível construir um sistema mais eficiente, justo e centrado no paciente. Caminhos para uma saúde mais sustentável É preciso investir em métricas padronizadas, novos modelos de remuneração e fortalecer a cultura organizacional voltada para resultados em saúde. Quando bem estruturado, esse modelo pode ser a chave para um sistema mais sustentável, eficiente e acessível para todos.

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O que é VBHC (Value-Based Health Care) e por que ele é essencial para o futuro da saúde?

3 de abril de 2025 Por IBRAVS
Value-Based Healthcare

Se você ainda ignora o VBHC, já está atrasado. O modelo de assistência à saúde baseado em valor, conhecido como Value-Based Health Care (VBHC), está transformando a maneira como os serviços de saúde são organizados, prestados e remunerados. Em vez de um sistema centrado no volume de procedimentos realizados, o VBHC coloca o paciente no centro das decisões, priorizando desfechos clínicos efetivos e a eficiência dos recursos. Como funciona o modelo de Value-Based Health Care? O conceito de saúde baseada em valor, amplamente difundido a partir dos estudos de Michael Porter e Elizabeth Teisberg, busca alinhar incentivos para que hospitais, médicos, operadoras de saúde e toda a cadeia envolvida trabalhem de maneira coordenada. O objetivo é melhorar a qualidade dos tratamentos, reduzir desperdícios e garantir que os investimentos no setor tenham um impacto real na vida dos pacientes. Quais são os principais benefícios e desafios do VBHC? A adoção desse modelo traz vantagens significativas, como a melhoria na qualidade assistencial e a maior eficiência operacional através de um importante alinhamento de interesse entre os stakeholders. No entanto, sua implementação também enfrenta desafios, como a necessidade de métricas padronizadas para medir os resultados clínicos e os custos, a interoperabilidade dos sistemas de saúde para facilitar a troca de informações e a mudança cultural entre profissionais de saúde, hospitais e operadoras. Como acelerar a transição para a saúde baseada em valor? Para uma adoção mais eficiente do VBHC, as instituições devem: Investir em sistemas de informações interoperáveis, permitindo acesso a dados em todo o ciclo do cuidado. Definir e acompanhar métricas de qualidade e de custos, possibilitando entender o que efetivamente está sendo entregue aos pacientes. Adotar modelos alternativos de pagamento onde o ganho seja em função do valor gerado aos pacientes e ao sistema de saúde. O futuro do VBHC A adoção do VBHC não é um processo simples, mas seus benefícios são evidentes. Com foco nos resultados clínicos e na experiência do paciente, o setor de saúde caminha para um modelo mais sustentável, eficiente e alinhado às necessidades reais da sociedade. O VBHC não é mais uma tendência, mas uma necessidade. Já parou para pensar como sua instituição está se preparando para essa transformação?

Categorias Valor em Saúde Tags Eficiência na saúde, Modelo de assistência à saúde, Pagamento por valor na saúde, Qualidade no atendimento médico, Saúde baseada em valor, Sustentabilidade no setor de saúde, Transformação digital na saúde, Value-Based Health Care, vbhc Deixe um comentário

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