O Pronto-Socorro (PS) é, por definição, um ambiente de incertezas. Alta demanda, imprevisibilidade clínica e uma heterogeneidade de casos que desafia qualquer planejamento. Tradicionalmente visto como um “centro de custo” ou um gargalo administrativo, o PS costuma ser o palco de decisões reativas onde a gestão parece limitada ao “apagar incêndios”.
Mas, e se disséssemos que é justamente nesse cenário de alta complexidade que o Valor em Saúde (VBHC) pode brilhar mais intensamente?
No mais recente episódio do VBHCast, o podcast oficial do IBRAVS, recebemos a Dra. Natália Saraceni, cirurgiã e gestora, para discutir como transformar o PS em um verdadeiro guardião da sustentabilidade institucional.
Por que o Pronto-Socorro é o “Guardião do Sistema”?
Muitos gestores olham para o pronto-atendimento apenas como uma fonte de prejuízo e reclamações. No entanto, a Dra. Natália trouxe uma perspectiva provocadora: o PS é o principal termômetro e o “portão de entrada” que organiza o acesso de todo o sistema hospitalar.
Se ele não funciona bem, o hospital inteiro sofre as consequências de fluxos interrompidos e ineficiência.
O PS precisa ser, necessariamente, um lugar de espera infinita?
O senso comum diz que, se o volume de pacientes aumenta, o tempo de espera deve subir proporcionalmente. O case da Unimed Piracicaba, apresentado pela Dra. Natália no CLAVS 2025 (Congresso Latino-Americano de Valor em Saúde), prova exatamente o contrário através da metodologia correta.
Confira os resultados reais alcançados em apenas seis meses de projeto:
- Eficiência Máxima: Houve um aumento de 47% no volume de atendimentos, mas o tempo médio de espera caiu 21%.
- Qualidade Percebida: As reclamações médicas e de ouvidoria foram reduzidas em 54%.
- Combate ao Desperdício: A aplicação de protocolos e senioridade reduziu os exames laboratoriais em 33% e as tomografias em 19%.
- Sustentabilidade Financeira: Uma redução de 16% no custo unitário por atendimento.
- Economia Real: O projeto gerou uma economia mensal de aproximadamente R$ 916 mil, com projeção anual de R$ 1,8 milhão.
Como essa transformação foi feita na prática?
Você deve estar se perguntando: qual é a “fórmula mágica”? A resposta não está em milagres, mas em três pilares fundamentais discutidos no episódio:
- Gestão de Escala por Senioridade: Em vez de deixar apenas recém-formados na porta de entrada, a estratégia focou em colocar profissionais experientes para decidir nos horários de pico. Médicos seniores são mais resolutivos e evitam internações desnecessárias — que, neste case, caíram 23%.
- Dados contra o “Achismo”: A utilização de ferramentas de BI on-time permitiu que a gestão monitorasse a fila e a produtividade médico a médico em tempo real. “Médicos são facilmente convencidos por dados claros e objetivos”, pontuou a Dra. Natália.
- Incentivos Alinhados: O modelo de remuneração incluiu bônus baseados em indicadores de qualidade e comportamento, como a baixa taxa de retorno em 72 horas, gerando um verdadeiro sentimento de time.
O que falta para sua instituição dar esse passo?
O VBHC no Pronto-Socorro não é sobre cortar recursos, mas sobre aplicá-los onde eles geram mais valor para o paciente e menos desperdício para o sistema. Para a Dra. Natália, o ingrediente final é a coragem da liderança.
Segundo ela, sem dados, não conseguimos fazer absolutamente nada. Caso contrário, ficaremos apenas tratando o efeito e nunca a causa raiz.
Quer saber como aplicar essas métricas no seu dia a dia?
Veja aqui o episódio completo do VBHCast, uma produção do IBRAVS com apoio institucional da Novartis.
E acesse aqui mais informações sobre a Universidade de Valor do IBRAVS.